Solilóquio – Por Tuka Borba

Então vêm as lembranças e Eu revelo fotografias que nunca tirei. Ah, o passado…
Sabe, Eu faço poesia por não me contentar com a realidade. Enquanto isso, Você fica aí feito um bicho arredio.
Você se encontra em lugares pelos quais Eu nunca passei, mas me sinto como quem se lembra de cada detalhe.
Eu compreendo bem esse seu gosto pelas palavras, mas confesso que meu mundo gira ao te ler.
Me sinto tão Você que às vezes Eu confundo as vidas no espelho.
Ontem, ao dobrar uma esquina, aqui perto de casa, meus passos pareciam não me acompanhar.
Olhei para o outro lado da rua e Você andava despreocupadamente pela calçada. Eu tive inveja de Você.
Você que é tão cheio de Eu.
Você que é tão dono de si.
E eu, aqui, sem ao menos saber para que lado aponta aquela placa onde está escrito: vida.
Se Você fosse Eu, com a mesma intensidade que Eu sou você, saberia das maluquices que me rondam e deixaria de lado essas ideias absurdamente normais.
Eu escrevo pra ajudar na cicatrização, mas quem tem razão é Você.

Tuka Borba

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