Aceito – Por Ana Barcellos

Quando eu me achava muito esperta,
muito vivida, muito madura
e muito segura de mim,
Você me aparece com esse mundo novo
Como vindo de um outro planeta
Fazendo minhas certezas caírem por terra
E minhas verdades se dissiparem no ar
Dizendo que agora via o mundo com os meus olhos
E tocava com as minhas mãos
Que nada mais restaria de você
Que deixaria tudo para trás
Bastava eu aceitar.

Respiro fundo,
Penso…

E depois paro de pensar.
Porque o amor não se concretiza se a mente interfere
Cansada da mente sã
[Quase] ansiando pelo risco
Porque mais vale a adrenalina da aventura
Do que o marasmo das certezas.

Então eu aceito.

Que venham as mudanças…
E que se dane o conflito entre o desejo de mudar e a vontade que nada mude.
Porque agora eu já disse sim.

Ana Barcellos

Promessas – Por Ana Barcellos

Por favor, sem promessas
Não por eu não acreditar que elas possam ser cumpridas
Não por eu não considerá-las lindas
Mas simplesmente porque quero que essas coisas aconteçam
Porque continuam sendo de seu desejo e vontade
E não porque foram prometidas uma vez
Que seu amor e devoção sejam sempre voluntários
Sem obrigação
Senão perderiam a razão de ser
Sem promessas, por favor

Ana Barcellos

Vômito – Por Ana Barcellos

E então
Assim de repente
Rolando a tela pra baixo
Uma foto chama a atenção
Entre tantas outras imagens e dizeres

Não foi porque aquele moço lá estava
Em meio a amigos comuns
Sua presença seria insignificante
Se não fosse o novo sentimento

Sem amor, sem carinho
Sem pena nem compaixão
Sem saudade, sem dor
Nada no coração

Nojo, apenas.
Triste, mas nem tanto.
Parece que finalmente
Aprendo a ter os sentimentos esperados.

Até careta eu fiz
Olhei bem e pensei:
“Como posso já ter chorado
por um ser tão desprezível?”

Quis guardar esse momento
Eternizá-lo em último poema
Porque, de mim, há muito não recebia uma palavra
Guarde as últimas, sei que ainda as lê

Seu ódio por si mesmo, travestido por uma vaidade doentia
Alcançou o objetivo
Mais alguém que lhe tem repulsa
Mais um vômito para a coleção

Ana Barcellos

Carta para quando eu me for – Ana Barcellos

No dia em que eu morrer
Quero que digam a verdade à minha filha
Contem a ela que saí em mais uma viagem de aventura
E que vou realizada
Por ter feito tudo, absolutamente tudo que eu queria nessa vida

Aprendi muitas coisas,
Concretizei sonhos
Fui autêntica e contrariei o senso comum
Não tive medo de parecer ridícula
E isso fez com que, contraditoriamente,
Eu fosse admirada

Contem a ela que minha maior felicidade
Foi tê-la comigo
Sua alegria, sua parceria, seu amor
Contem que eu farei sempre parte dela
Como ela também de mim

E que nessa nova aventura incrível
Em que poderei voar por entre nuvens
e atravessar arco-íris
Tentarei fotografar tudo mentalmente
Para mostrar a ela quando nos reencontrarmos depois

Falem também que ela não se apresse
Que viva intensamente cada minuto precioso de vida
Que eu estarei acompanhando de longe
cada novo passo, cada nova conquista
e segurarei cada uma de suas lágrimas.

Que ela nunca duvide, pois eu sempre estarei lá
Se um dia o coração doer,
eu estarei lá
Na hora em que a felicidade transbordar,
eu estarei lá

Sempre e pra sempre…

Um dia, na hora certa, eu volto para buscá-la
E estaremos juntas de novo
Não deixem que ela duvide disso nunca
Contem que é minha promessa
A mais importante de todas

Digam que eu espero simplesmente
que ela tenha coragem de ser feliz
que não deixe que o medo a paralise
que nunca duvide da pessoa especial que ela é
E saiba que a única coisa que ela precisa para tudo isso é dela mesma

Lembrem-na que a gente é mais feliz,
quando ajuda outras pessoas
Que o universo conspira a favor de quem o ajuda
De quem acredita
E de quem corre atrás.

Contem que talvez eu more numa estrela com o Pequeno Príncipe
e que, se ela prestar bastante atenção no céu estrelado,
naqueles minutos mágicos entre o sono e o despertar,
é capaz de ouvir New Kids on the Block tocando entre as risadas do principezinho
e sentir-me seus cabelos acariciar

No dia em que eu tiver de ir
em busca de novos horizontes, além mar
cuidem da minha menina
e, por favor, deixem seus corações abertos
para que eu possa amá-la através de vocês.

#gratidão

Ana Barcellos

Ainda me sinto só – Por Ana Barcellos

8 anos se passaram
E eu sinto o mesmo vazio
As lágrimas correm
O peito ainda aperta
Não consigo cortar o fio
Que une você a mim
Sei que assim tinha de ser
Aceito
Mas queria diferente
Queria você aqui
Só isso
Infantil, reconheço
Mas sentimento real
Deixem-me com o meu luto
Um dia ele há de passar
Ou não

29/09/2014 – 8 anos do acidente do voo GOL 1907
E eu ainda me sinto só.

Ana Barcellos

Empreendendo – Por Ana Barcellos

Ideias fervilham
Mente inquieta
Sono se vai
Tanto a realizar
Tempo escasso
Vontade, sonho, coragem

Empreender é sair da zona de conforto
É optar pelo stress
Porque para algumas pessoas
O medíocre não é opção
Precisamos fazer mais
– e melhor
Senão não tem graça

A graça é arriscar
Apostar
Investir
Esperar
E pagar para ver
Que venha o trabalho!
Pois dele não temos medo
E que venha o caminho
Que faz tanto sentido quanto o resultado.

Ana Barcellos