Partida – Por Inge Lobato

Parto cais, para não deixar vestígios.
Remo velas, para soprar o mar.
Se faz bom tempo, sigo o sabor das marés,
Ancoro em calmaria.
Se há prenúncio de tempestades,
Sou água a lavar o corpo, a salgar os lábios,
Sou corpo de marinheiro velho,
A acompanhar o balanço dos mares.
Nasço onde posso,
Morro onde já é tarde,
Fico até fazer bom tempo,
E parto cais,
Para não deixar vestígios.

 Inge Lobato

Sal da terra – Por Inge Lobato

Havia uma paz ali. E eu não sabia como poderia haver paz em meio a tantos desacertos, palavras cegas zunindo ferozes na direção de ouvidos e rostos. Simplesmente não entendia como poderia haver paz ali.

Um verde-descuido adornava o quintal, mas eu amava a selvageria com que a natureza lidava com o descaso. Nela, o barulho dos pássaros, grilos e sapos transbordava, em meio a folhas mortas e verdes-vivos novinhos, lambendo qualquer resquício de área sem vida.

Era uma ocupação silenciosa – uma invasão bárbara – conquistando terreno, aos poucos, no calar da noite. O capim crescia à margem do cimento, e se jogava por cima da varanda, deitando seus braços longos em cima da área construída. Uma orquídea sequestrava o tronco do pinheiro, em um matrimônio que enchia o ar e os olhos. Eram, agora, uma só vida. O pinheiro de brincos dourados.

Estava hóspede dessa terra selvagem, que um dia me deu à luz. Um fruto enlatado que não sabia mais existir em plena barbárie. Havia me acostumado à ansiedade das metrópoles, que seduz os olhos para longe da morte, da terra da qual sou parte – ainda que a negue de todas as formas –, presa a uma teia que me priva da lembrança e sofrimento de ser mortal.

Mas, eu admirava esse mundo velho e bárbaro, maravilhada e pequena, porque o sabia antes de mim. Nem sei por que desacreditei dessa realidade. Não ganhei um minuto sequer a mais de vida negando que – antes e depois de mim – existirá essa “casa”, que sepultará a todos. Talvez a existência, e não a morte, fosse essa condição de enxergar o tempo com os pés no chão, com uma promessa de dias tão longos como a ignorância de quantos nos bastam para deixarmos um personagem qualquer, escrito em memórias e linhas banais.

Ergui o celular no ar, em busca de alguma conexão que me resgatasse da singularidade da vida, e o vento veio sacudir violentamente as folhas das palmeiras, e a viva memória da raiz da qual fora feito meu tronco. Não pude ignorar que – para além das inúmeras diferenças ocasionadas pelos anos afastada do sal daquela terra – eu ainda permanecia conectada a ela. E nenhum sinal veio dar por mim naqueles confins de mundo.

Inge Lobato

Motivo – Por Inge Lobato

03:54 da manhã. Uma xícara de café com leite, o arquivo aberto nas últimas linhas escritas. Conferiu a data por preciosidade temporal, e percebeu que já havia ultrapassado o intervalo de dias que se dava para escrever em seu diário. Sempre se prometia parar com esse perfeccionismo ridículo, essa competição vazia consigo mesma, que terminava em culpa por achar que já havia sido melhor, qualquer que fosse o parâmetro.

Pensava a respeito da única pergunta que rondara os últimos anos de sua vida: Por quê?

E o maldito perfeccionismo a torturava, a cada novo eco que obtinha. Por mais que pensasse muito, cada dia e hora davam a ela sempre um ângulo inexplorado, uma hipótese a remoer.

Ocorreu-lhe, então, que essa única pergunta estivesse guiando seus passos na vida, com inúmeras respostas possíveis. Talvez, nem todas as perguntas tivessem uma chave única. Como era difícil absorver esse raciocínio para uma pessoa do universo das exatas – onde, geralmente, há sempre uma única resposta correta.

Essa inquietação rondou sua existência como uma sombra, um fantasma que ela tentou inutilmente exorcizar, uma comida indigesta que se conservou em seus poros feito perfume barato.

Escreveu motivos que pudessem sossegar a alma, acalmar sua perfeição obsessiva, que lhe obrigava a encontrar reflexos precisos para a inexatidão que é viver:

“Porque sim. Porque quis. Porque precisava. Porque era o momento. Porque tinha que ser.”

E todos lhe pareceram mais vagos que a própria pergunta.

Talvez, não houvesse resposta. Seria a charada matemática da vida: nem tudo tinha sentido. Não havia x, y ou z que garantissem desfechos previsíveis. A vida era, por vezes, equação insondável. O acaso existia.

E, porque carecia substância a seus argumentos, terminou a noite da mesma maneira como começou: com um maldito “por quê?”, agora amigo de infância, e uma página em branco no diário.

No dia seguinte, pediu demissão do trabalho, diante de um chefe assustadíssimo, que fez uma lista de motivos para que ela não tomasse aquela atitude.

Porém, nenhum deles lhe pareceu tão assustador quanto o verdadeiro: não havia motivo algum. Era a vida, com seus “porque sim”, “porque era o momento”, “porque tinha que ser”… era a vida!

Inge Lobato

Bang – Por Inge Lobato

Há uma fome ensanguentando as ruas…

O menino espera na porta da lanchonete.

Entra todos os dias ali uma mulher esguia, com seu batom vermelho-sangue e sua bolsa dourada. Apesar da paisagem desbotada à frente da lanchonete, a mente ignora o que o olhar já se acostumou a ver.

– Um suco de laranja e um misto.

– Mais alguma coisa?

Então, o menino desampara-se inteiro na porta, à esperança da fome, e esquece sua pouca educação tida nos braços das ruas, onde a lição é simples: o mais forte manda, obedece quem quer viver. Um dia, será ele o professor, com sua pouca paciência, metralhadoras e cordões de ouro, e o desprezo às convenções sociais dos que aprenderam a observar o mundo pela televisão. Mas isso é amanhã, porque hoje as petecas negras do menino salivam um suco de laranja e um misto.

O menino olha, calcula, o cérebro imagina, o estômago responde… empunha as mãos sujas na cortina de vidro que barra sua miséria, água os lanches mordidos e despencados aos pedaços, por ser exagero, do tamanho do abismo que separa a vida dos que se fartam daqueles que pedem o que sobra.

Alucina: e se pudesse, na madrugada, entrar ali? Poderia comer todos os pães, queijos… carne. E beber todos os refrigerantes, sucos, cerveja, toda fome contida nas ruas. Mas ele teme… e cuida a mulher de bolsa fina.

E ela come um pão pequeno, com um suco pequeno. E ele pensa que, tudo sendo pequeno, sobra um trocado a mais. E ela se demora comendo, distraída no celular… ele espera.

Quando a porta de vidro se abre, ele a observa com a voracidade da oportunidade, com o desespero todo na pele e no olhar…

– Me dá um sanduíche, tia?

Ela amedronta-se, empalidece, e seu olhar atônito, quase fugindo das órbitas, decodifica o dele. Tateia a bolsa à procura de salvação, o dinheiro sai tremido na ponta dos dedos, o olhar já evitando encontrar o dele, e lhe entrega o dinheiro como quem resgata a própria vida da morte, do inevitável. Agradece intimamente porque ele não roubou seu celular, sua bolsa, seu carro, sua vida, e some em passadas longas até o carro. Promete prestar atenção da próxima vez… ou não voltar mais ao lugar.

E ele aprende, apesar de ainda não entender, que há na sua miséria um pavor que intimida, que sua realidade aterroriza, porque jaz desumanizado, nu, sem marcas sociais que lhe identifiquem como pertencente ao sistema.

Hoje, presa fácil, amanhã… um predador.

Há uma fome ensanguentando as ruas.

– Perdeu! Passa a grana aí, otário…

Bang.

Inge Lobato

Dos caminhos – Por Inge Lobato

Às vezes, me pego tentando existir em espaços nublados, na densa neblina entre o tédio e a falta de esperança.

Em outras, sou existência exótica, a ser assistida com o controle remoto ao lado.

Às margens de tantos rios, marés e correntezas de afogar, meus olhos encharcaram-se, e meus pés já não veem mais graça em permanecerem calçados.

Com a mesma preguiça com que calcei meus dedos livres, hoje, desato os cadarços. Não há por que arder em asfalto se é na maciez da relva que eles sabem caminhar. E, se tanto insisti em calejar os pés, foi por pura genética, uma espécie de DNA selvagem, que ainda não sei se é feita de teimosia ou simples ingenuidade.

Há no tempo uma espécie de insistência cirúrgica em prever desastres, maior que qualquer ilusão em que se queira acreditar. Em seus minutos mudos, explica o mundo sem pressa, e dá a cada um o direito, ou o defeito, de querer estar além dos ponteiros, aquém de si mesmo, longe de qualquer lugar onde fisicamente já não esteja. Eu olvidei o tempo em suas palavras que me pareceram ásperas, em um primeiro momento, e nele duvidei de quase tudo que senti, vi ou provei.

No entanto, sentada à margem de mim mesma, com anos acumulando-se em meus cabelos, não insisto mais em machucar os pés, em devastar todo mato contido no sangue, toda a água contida nos olhos, ou extinguir-me à custa de existir em pele que não habito. Não mais.

Inge Lobato

Enquanto o outono não vem… – Por Inge Lobato

Começo de abril, maio, não lembro… Sei que meus pés pisavam folhas secas e o sol tingia de cobre a minha pele, num ouro envelhecido, quase laranja, como as folhas crepitantes que estalavam sob meus pés. Era outono. No lugar onde resido, a mudança das estações não é tão marcada como em outros lugares…  difícil distingui-las sem usar um calendário.

Parece-me que o calor intenso do verão fixou residência por aqui, e o frio do inverno é turista, vindo visitar-nos somente por alguns dias. E chuva, muita chuva, torrencial, por longos quatro meses. A primavera vive em estado de capricho: desabrocha flores quando lhe convém, seguindo um calendário próprio, porque do convencional tenho a impressão de que nunca tomou conhecimento. Já o outono, amo, apesar de conhecer apenas suas folhas amareladas. Mas é o suficiente para adorá-lo, com toda delícia e dor, paz e renascimento que me ensinou… tão necessários ao ciclo da vida.

Não recordo o mês, mas aquela tarde, sim… nunca me saiu do peito. Folhas secas cobriam a varanda inteira da casa, e eu me extasiava de alegria em pisá-las, em fazer delas um colchão para amortecer minha infância e os meus olhos encantados pelo mundo. Era uma alegria pura, cruel e humana, como a de toda criança: amassar as folhas dentro das mãos pequenas, jogá-las para cima como num sorteio de cartas, e tentar pegar os fragmentos que choviam sobre meu sorriso, ardente em excitação.

As veias que levaram a seiva da árvore, o caule antes verde e resistente, o retorcido formato… tudo estava lá, impresso naqueles pedaços mortos de árvore, agora entregues à sorte de um pequeno furacão em pleno verão, tão pouco ciente de que também outonaria, assim como as folhas.

Meus avós já outonavam quando nasci. O calor dera lugar a uma brisa suave, quase morna, a uma paciência com os dias e seus ponteiros. Mercado, dinheiro, carreira – nada disso mais fazia sentido. No outono eterno da minha infância, importante era reunir amigos para o churrasco, tomar banho de mangueira, recolher as mangas no quintal para fazer potes e mais potes de compota. Tinha dia de peixe na folha da bananeira e dia de aprender como mertiolate arde. Ficar de castigo por jogar bola dentro de casa e derrubar os xaxins de samambaia lá fora, para depois voltar ao castigo de novo.

As prioridades eram outras: estar vivo por mais um dia, comer e dormir bem. Sentar-se em uma cadeira de vime e conversar sobre os mistérios das estrelas, achar o dragão de São Jorge na lua, que eu sempre afirmava ter visto, só pelo prazer de ouvir a gargalhada dos meus avós. No fundo, desconfiava de que não existia dragão algum, mas ouvir minha avó rir brava com a mentira simulada me fazia feliz.

Importante era saber cantar tangos de Gardel ou contar histórias escabrosas de um cara perigoso feito o diabo, chamado Lampião… contar lendas das águas, como a existência de sapos do meu tamanho no lago Titicaca, ou a de um monstro pré-histórico em outro lago, o Ness. Depois, ser astronauta e encontrar São Jorge pessoalmente, para saber um pouco mais da solitária e extraordinária missão de cuidar de um dragão…

O verão parecia-me – como até hoje se apresenta a mim, em termos climáticos – eterno, e tudo de que eu precisava era não dormir demais, pois tinha muito por descobrir todos os dias. No entanto, naquela tarde quente, em que as folhas da mangueira sofriam com minha algazarra, meu avô convocou-me para um passeio. Sentou-me no banco dianteiro do fusca amarelo e fomos velozes, a 20 km/h, rumo ao cemitério.

A palavra cemitério já me soava enigmática e sinistra, imagine o local. Eu não tinha permissão para entrar lá, mas meu avô adorava quebrar regras, e me chamou para o “mórbido passeio”, convite que aceitei feliz, imaginando que descobriria mais um dos grandes segredos do mundo. E, no fundo, eu estava certa.

Grande e ágil, a passadas largas, ele foi esgueirando-se entre tumbas, até chegar ao nosso destino. Dei a mão a ele por precaução, afinal, Michael Jackson havia encontrado seres medonhos em um cemitério que se assemelhava àquele. No caminho, riu zombeteiro do meu medo, e disse: “Não tenha medo dos mortos, eles não podem mais fazer nada. Tenha cuidado é com os vivos”. Mas eu ainda não entendia a morte, apenas os zumbis… e continuei segurando firme a sua mão.

De repente, ele parou em frente a uma tumba branca, recém-pintada. Nela, reluzia sob o sol uma grande pedra retangular de mármore, também branca, com detalhes esculpidos em cor negra: uma bela cruz entalhada na ponta superior e, abaixo do símbolo, letras e números que ainda não faziam qualquer sentido para mim.

– Estava devendo ao seu bisavô. Fizeram um trabalho muito bom, durável para a vida inteira. Agora, é só pintar de branco todos os anos, e pronto! E, quando os detalhes em negro sumirem, preencher com tinta. Não é linda?

Achei bonita mesmo, mas não entendi o que tudo aquilo tinha a ver com meu bisavô. Por trás da tumba, uma abertura quadrada chamou minha atenção, ao que ele esclareceu:

– Bom, passados alguns anos mais, poderemos retirar o caixão de seu bisavô por essa abertura, e transferir os ossos dele para uma caixa menor. Em um futuro não muito distante, estará você aqui, a cuidar do seu bisa e de mim, já que não vou durar muito. Mais uns três anos, no máximo. Você vem trazer flores para o vovô?

Ah! A descoberta do outono, da morte, do renascimento, dos ciclos que se repetem e jamais são iguais… da vida a morrer em cada segundo vivido, dos veios retorcidos nas folhas secas a fazerem sentido na pele de vovô… a despedida já confirmada para um futuro agora menos alegre.

“Quanto tempo são três anos, vô? Falta muito, vô? Como eu saberei que já são três anos, vô? Meu aniversário chega antes dos três anos?”

Naquele dia, comuniquei solene ao vovô que havia transferido a incumbência das flores a minha mãe, e ele riu, achando que meu medo era do cemitério… mas ele estava enganado. Eu havia descoberto algo mais assustador que cemitério, zumbis ou Lampião.

Agora, sabia: o inverno iria vir, e era uma questão de espera. Lembro-me ainda do esforço em entender a passagem do tempo, de guardar calendários na carteira para marcar os instantes em que eu ainda teria a luz do outono a iluminar meus passos, para depois fingir pouca importância aos anos e suas estações, pensando que talvez eles – também – se esquecessem de mim.

O inverno chegou, e eu ainda contei mais vinte e um outonos desde aquele primeiro no cemitério. Veio rápido e de partida anunciada, como meu avô gostava de fazer… do modo como sempre acontece em minha região. No último dia do meu outono prolongado, soube que renascer seria vital até que – em mim – frutos colorissem uma primavera súbita e intensa, e um novo verão pudesse explicar os tangos de Gardel e as estrelas.

Gosto de pensar que tenho longa estrada até que o outono chegue novamente, mas reduzo o compasso para que as folhas secas venham lentamente ganhar espaço em mim. Já não me importa tanto o relógio, apenas os amigos do peito, livros e doces caseiros. Ainda invento dragões em meu telescópio, e percebo que São Jorge nunca deixou de me proteger deles.

Embaixo da lua, sereno, e deixo o brilho dela tingir lentamente de branco os meus cabelos. E, enquanto o outono não me anoitece, vou colhendo algumas flores no caminho… Um dia, eu as levarei para aquele com quem sacramentei acordo há muito tempo.

“Como é o grande arquiteto do universo, vô?!”

Inge Lobato

No espaço de uma vírgula – Por Inge Lobato

No espaço de uma vírgula, vivia Dorcília, a doce criatura que não sabia encaixar-se em lugar algum… no instante da respiração, no momento da passagem – lá estava – estática, a dar sentido ao antes e depois… mas nunca a continuar o roteiro principal!

Os olhos iam-se embora, e Dorcília ficava, no espaço de uma vírgula. Passavam apressados os olhos, nem a notavam, ignoravam-na completamente, como se não houvesse razão em seu existir.

Dorcília – imersa em dor – aquietou-se… viveu murcha em sua função de pausa necessária, de preguiça, mas não de morte. Então, ela quis ser ponto, porque ponto impõe respeito. Quis ser travessão, mas para isso, precisava de finura gramatical: não era qualquer um que sabia usar. Quis, ainda, ser reticências, porque as reticências fazem dança do ventre, guardam mistério para a frase seguinte… mas conseguiu apenas ser vírgula.

E havia quem a colocasse em lugar que não era pra estar, e lá ficava ela, incômoda, toda errada, fora de contexto. Tira Dorcília daí, que não precisa dela. E lá ía embora, viver noutra pausa. Enamorou-se de um sujeito que, vaidoso, só sabia ser. Ficou perto dele, mas disseram que, entre aquele sujeito e seus predicados, não havia espaço pra ela. Era muita coisa pra Dorcília.

Dorcília vivia atrás do tempo, do esquecimento, antes da explicação, mas nunca onde queria.

Conta a lenda que, uma vez, Dorcília enfureceu-se: foi-se embora, deixando o texto inteiro sem pausas. Foi o maior acidente já ocorrido na história das páginas.

“um engarrafamento sem fim de palavras que se chocaram uma com as outras sem qualquer freio com pontos tentando encaixar-se mas como não sabiam muito bem como fazer a sinalização das pausas tão necessárias desorientaram-se as frases e como não dava para parar no meio das orações teve gente que desfaleceu sem conseguir respirar”…

Mandaram chamar Dorcília às pressas, que voltou alegre e grave, ciente de que sua importância havia sido reconhecida. Afinal, sem pausas, morre-se por asfixia.

Inge Lobato