Voe no sonho – Por Ingrid Caldas

Na verdade vejo a alma
um pássaro louco – ansiando o céu…
Quando alçou voo distante
sentiu o vento no rosto…
Sem perceber o quanto é importante,
a liberdade o envolve
assoma o fôlego que resta
e o leva em voo cego…

Triste escolha – de pouca esperança
sem saudade ou lembrança…
Antes não tivesse chorado
nem sequer lamentado…

E no recordar mais vivo segue
cantarolando um futuro
que talvez nunca virá…
Mas em seu coração
se desenha pura realidade
em sentimento…

Ingrid Caldas

Noturna – Por Ingrid Caldas

Ando pensativa ultimamente,
observando momentos,
ao viver a vida que quero – e escolhi…
Deixo-me por levezas
que só a memória é capaz de aproximar…

São noites de tormento
Sono que soluça tremores
desliza em lençóis
plenos de suor…

No rastro da tua ausência
inebriada pelo perfume que não sinto
sigo por caminhos,
sorvo gotas que vem de ti…

Gritar de nada adianta…
Chorar é distante refúgio…
São mãos – na pele plena
São a vida, enfim…

Então… escrevo!

Ingrid Caldas

Balada do encontro… – Por Ingrid Caldas

Deslizei meu olhar sobre ti
em gestos lentos e sutis…
Movimentei-me por teus passos
silenciosamente…

E a luz do sol brilhou em tua pele
radiante e esplendorosa…
Semicerrando olhos distantes
entre brincadeiras e risos…

Um pensamento brota trêmulo
percebendo teu perfil inerte…
A urgência do sabor emerge
no calor de teus poros
Subitamente…

Perder-me em ser – quem sou
Que te encanta e te amansa
Te excita – e dança…
Ofegante…
Num ritmo intenso e voraz…

Ingrid Caldas

Vácuo – Por Ingrid Caldas

Muda, sigo a passos lentos…
A luz escorre pela parede – rasgada –
em desenhos estranhos que não sinto.
A escuridão assume…

Eu nunca me dispo nas sombras…
Não deixo que envolvam a pele –
convidativa – abrindo-se ao corte…

Como esquivar-me sem ser ouvida…
Sem parar – lenta – sobre os próprios passos?
Uma outra boca sussurra-me
o que deve permanecer…

Assim, deserta, tolero o impuro
sorvo seu gosto – agridoce –
esperando…

Ingrid Caldas

Em um canto qualquer – Por Ingrid Caldas

Em um amanhecer louco, o mesmo amor despertou-me
e caí aos meus pés em desespero.
Em majestoso inferno, sucumbi – de dor e de amar…

Nesta rara caminhada de beleza infinita
quando já é dia e o sol aquece a pele,
sinto revelar-se o segredo que tanto almejo…

Nesta escravidão, em que o sonho é simples – corrente
provoco o medo e me arrasto, em corpo e espírito
para um novo nascimento, consumado e provocante…

Ingrid Caldas