Construir com orgulho – Por Tatiana Melgaço

Hoje, enquanto passeava pelo entorno do estádio do Maracanã, ouvi a conversa de dois “peões de obra”, que caminhavam próximos a mim. Eles apontavam para as diversas partes do estádio e falavam sobre o momento daquela reforma… Mas não era um falar qualquer, pois havia muito orgulho em cada palavra. Conversavam sobre a calçada, a rampa, a arquibancada e os portões…

Imaginei como deve ser incrível saber que você participou da construção de algo tão grandioso e de tamanho significado para a população! Foi nesse momento que pensei no quanto esses operários são descriminados por pessoas como nós, que acreditam construir coisas mais importantes, mas não demonstram todo esse orgulho que vi a alguns passos à minha frente.

Isso me trouxe um questionamento: o que temos construído que nos deixa verdadeiramente orgulhosos? Acho que vale a reflexão!

Tatiana Melgaço

Perdido no meio do tudo e do nada – Por Bia Tannuri

Existem momentos em que ficamos perdidos no meio de tantas escolhas que se apresentam, que se confundem no emaranhado de opções, levando-nos ao abismo do nada.

Procuro um caminho, chego à porta do nada e bato com força, mas ela não se abre, pois não sabe qual o objetivo de quem bate, e não há opção se não houver finalidade. Até o nada tem que ser direcionado e pensado.

A falta de alternativa pode levar a uma escolha, mas não na sorte e sim no alvo.

Permitir que a vida siga seu rumo não significa estar à deriva, pois o norte da vida quem dá é quem a vive, mesmo quando a escolha é deixá-la seguir.

Para ver a luz, por mais no fundo do túnel que ela esteja, é preciso abrir os olhos.

Bia Tannuri

Sobre metades – Por Tatiana Melgaço

Já parou para reparar quantas metades da nossa laranja existem no mundo? São algumas pessoas com as quais você poderia facilmente escolher dividir a vida, mas sempre haverá aquele espacinho que faltou na hora de juntar as duas metades.

Porque, não me resta dúvida: metade perfeita só existe uma… Mas, parece agulha no palheiro!!

Pois é, o destino é estranho… Apronta cada uma que nos deixa sem palavras e sem ar… Não poderia ser mais fácil e simples?

Faz tempo que achei minha metade perfeita, mas infelizmente se enquadra naquela música: “proibida pra mim, no way”… Faz parte do jeito estranho do destino…

Ei, universo, que tal facilitar?

Por mais exemplos bem clichês, ao estilo “… e foram felizes para sempre”!!

Tatiana Melgaço

Retirante – Por Leonardo Valesi Valente

É das penugens
Quem cambalhota ou porque destroça
Uma cor risonha e solta largo o braço
Como quando eu te desperto bem tarde
Até o sorriso de volta
Toda casa te resguarda

É calma bruta
Quem com nenhuma pedra desmonta o lago
Realça o dia para os estalos
De repente nem mais falta
Se apronta tão amigo
Que dói o mundo todo comigo de novo

É poeira
Quem recolhe os passos para o eterno
Assim demora e não vai embora meu coração
Acontece o mesmo eterno
Quem escrevo pouco desaba
Mas ainda estamos a cá profusos de nós

É do destino
Quem repetido viaja guardado de cada silêncio
Os olhos alados pedindo reparo
Embora voando não se depõe o pranto
Apenas um gosto de nuvem
Que chovendo nos desfaço ir embora

Leonardo Valesi Valente

Sobre as mães – Por Tatiana Melgaço

Costumo pensar que Deus mantém lá no céu uma fábrica de mães, de forma que as mulheres recebem características únicas de amor, carinho, dedicação e amor incondicional. Mas, como toda “linha de produção”, existem os produtos defeituosos, ainda assim chamados de mães más, que não receberam o recheio especial por um defeito na máquina…

Eu ouço muito que “mães são todas iguais, só mudam de endereço…”. Gosto dessa ideia e concordo com ela! E, para embasar a teoria aprendida em algum lugar, li a seguinte definição da palavra mãe:

– Substantivo feminino, significando a “expressão mais alta de aconchego”, de “porto seguro”, de amor incondicional, “de fortaleza”, de carinho, de responsabilidade, de capacidade de gerar, de administrar, de conduzir (Definição tirada do site Dicionário Informal) –

Poderia haver definição mais perfeita? É nelas que pensamos e por elas chamamos quando sentimos alguma dor, quando estamos em apuros, carentes ou simplesmente precisando de um colo. Tem sensação melhor do que o abraço e o cafuné de uma mãe?

Posso dizer por mim, tenho a mãe mais linda do mundo – e não me refiro apenas à beleza física, falo de alma e coração. Minha mãe é meu tudo, é o meu sol!! É nela que penso nos momentos felizes e tristes. É para ela que corro quando tenho uma grande notícia e, também é a ela que peço socorro quando não sei para onde ir. E, como mágica, ela – munida do seu pouco estudo e de sua enorme experiência – sempre tem a solução. Tenho 36 anos e ainda aprendo, a cada dia, uma nova lição com minha mãe, por meiode suas atitudes, palavras e – não raro – dos puxões de orelha!!

Se o mundo valorizasse mais o sentimento materno e o amor que emana dessas mulheres incríveis, tenho certeza de que tudo seria muito diferente… para melhor!!

No dia de hoje, desejo a todas as mamães um dia muito especial, recheado de amor, carinho, abraços apertados e beijos estalados!!

Feliz Dia das Mães!!

Tatiana Melgaço

Silêncio – Por Catia Netto

Quando vires um olhar que te faça sorrir em pensamento, serei eu.
Nos olhos  ausentes estará guardado todo encanto.

Toda vez que teu sono fugir na madrugada, mais uma vez serei eu.
Naqueles sonhos juvenis, sem nexo e que deixam boa impressão.

Sempre que esqueceres o que ias falar, somente eu estarei ali.
Palavras que deixamos de dizer e frases inacabadas nos discursos esquecidos.

Qualquer momento em que tuas mãos repentinamente ficarem vazias, verás a mim outra vez.
Serei o toque te falta, o afago que se foi, o vazio da partida de novo.

Impregnada  estarei nos olhos que não vês, no sorriso que se apagou, no sono que partiu,
na amnésia que se instalou, no toque que fugiu.

Somente eu.

Catia Netto

Além das próprias forças – Por Bia Tannuri

Há momentos em que nada podemos fazer, por mais que queiramos, pois a situação está além de nosso domínio, além das próprias forças.

A vida tem seu curso próprio, sua trajetória única e absoluta… com fatos tão independentes que não há força que a faça seguir por outra trilha, mesmo que seja para obter melhor resultado. E é nessa hora que temos que reconhecer a própria falta de poder para interferir. Cabe simplesmente viver e tentar ir se adaptando aos calombos da estrada.

Cada um é dono e senhor da própria vida e a conduz de modo que bem quiser. Ilusão de quem pensa poder interferir, uma vez que está além das próprias forças tal feito… pura ilusão pensar ser possível.

Está além das próprias forças pensar poder resolver e viver todos os problemas alheios por julgar saber resolvê-los.

Pura ilusão – dolorosa e penosa – julgar ser capaz de mudar o curso dos fatos.

Bia Tannuri