Solilóquio – Por Tuka Borba

Então vêm as lembranças e Eu revelo fotografias que nunca tirei. Ah, o passado…
Sabe, Eu faço poesia por não me contentar com a realidade. Enquanto isso, Você fica aí feito um bicho arredio.
Você se encontra em lugares pelos quais Eu nunca passei, mas me sinto como quem se lembra de cada detalhe.
Eu compreendo bem esse seu gosto pelas palavras, mas confesso que meu mundo gira ao te ler.
Me sinto tão Você que às vezes Eu confundo as vidas no espelho.
Ontem, ao dobrar uma esquina, aqui perto de casa, meus passos pareciam não me acompanhar.
Olhei para o outro lado da rua e Você andava despreocupadamente pela calçada. Eu tive inveja de Você.
Você que é tão cheio de Eu.
Você que é tão dono de si.
E eu, aqui, sem ao menos saber para que lado aponta aquela placa onde está escrito: vida.
Se Você fosse Eu, com a mesma intensidade que Eu sou você, saberia das maluquices que me rondam e deixaria de lado essas ideias absurdamente normais.
Eu escrevo pra ajudar na cicatrização, mas quem tem razão é Você.

Tuka Borba

Pela Fé – Por Tuka Borba

Texto em homenagem a Iara Borba – minha companheira de alta luz – e a todos aqueles que são movidos pela verdadeira Fé.)

Eu sei que a vida tem seus desenganos, mas mudar de planos faz parte da evolução. A visão otimista é o que nos leva à vitória, porque a glória depende dos nossos pensamentos.

Os momentos difíceis servem para que as horas boas sejam valorizadas.

Para cada passagem, uma história para contar.
Para cada viagem, uma bagagem a mais e outra que não vai nos acompanhar.

Deixe de contar as horas e passe a contar alegrias. Um sorriso verdadeiro contagia uma nação.

Erre a letra da canção, mas cante. Aumente o tom e desafine, mas cante.

Levante a bandeira da esperança, pois sempre vai haver uma criança segurando a sua mão.

Tuka Borba

P.S. (Cultive a Fé em novas possibilidades. As oportunidades se renovam todos os dias.)

Acrimônia – Por Tuka Borba

Com o passar dos dias, vou me eternizando em palavras
Minh’alma ecoa as horas perdidas
A vida escorre por entre os dedos, e os medos já nem fazem mais tanto sentido assim

Corre em mim uma estranha dosagem de nada
Não sento mais na calçada, e isso é perturbador

A cor desbotada das árvores
A sacada sem lua cheia
As veias jorrando imagens e as passagens formando teias

As salas frias
O cansaço das noites
Os açoites das manhãs
Afãs de um corpo desregrado

É impossível levar um barco sem vento
É impossível suportar momentos iguais
Razões pelas quais se vomitam lembranças e passados tortos

Estão mortos os carnavais

As paredes me olham com caras de sangue e de sarro
Enquanto morrem os segundos na cinza do meu cigarro

Amanhã, renascerei

Tuka Borba

Amor incondicional – Por Tuka Borba

Ela ficava na janela, aguardando minha volta para casa. Abria suas asas e me recebia com um abraço que curava tudo. Era como se um escudo me livrasse de qualquer mal.

A comida com um sabor único e a cama pronta.

-de ponta a ponta, o branco da paz-

Ela era capaz de me acalmar no olhar só pra me fazer sorrir. E, se ao dormir, as cobertas caiam, suaves passos se aproximavam da cama até que eu novamente adormecesse.

Das vezes em que eu não acreditei que podia, ela me ensinou a ver que tudo tem seu tempo na vida. E, as lições antes da partida definiram meu caminho. Hoje, eu fecho os olhos com carinho e ela ainda está ali, servindo de espelho e aliviando minhas dores. Segurando minha mão e refletindo meus valores.

Obrigado, Mãe.

Tuka Borba

A mística das letras – Por Tuka Borba

A poesia é abissal. É pra quem tem o “texto sentido”.
É preciso mais do que ler. Olhos de ver traduzem e nos conduzem às mais fascinantes fontes.
O poeta amplia o horizonte quando passa a escrever.
As linhas se cruzam onde a plataforma é o pensamento.
E, os momentos de registro tecem uma gigantesca teia de ideias que transcendem a razão.
Pausas, rimas, métricas que são seguidas por quem faz da vida uma interminável canção.
Coração que dita mãos aflitas pra criar.
Noites insones e uma porção de nomes pelo ar.

Tuka Borba

Apocalipse – Por Tuka Borba

Um tropeço no novo
Um povo de recomeçar
Crateras invisíveis
Sistema solar

Um lugar de sonhos e cristais
Uma viagem pelo planeta de cada um

Eis a renovação da espécie
E a gente esquece que penou

Sangra a Terra no leito da ilusão
Pelas mãos de quem julgou

É a consciência da destruição

Caem anjos do absurdo
Sepultando o que não volta jamais
Por trás das turvas nebulosas
As novas possibilidades

Metades que se encaixam
Risos e dor
O tempo tão sonhado e o esquálido verde do amor

São promessas aflitas no ar

A voz suprema dita as leis
Não há mais reis nem subalternos

O eterno acaba de chegar

Tuka Borba