Pela Fé – Por Tuka Borba

Texto em homenagem a Iara Borba – minha companheira de alta luz – e a todos aqueles que são movidos pela verdadeira Fé.)

Eu sei que a vida tem seus desenganos, mas mudar de planos faz parte da evolução. A visão otimista é o que nos leva à vitória, porque a glória depende dos nossos pensamentos.

Os momentos difíceis servem para que as horas boas sejam valorizadas.

Para cada passagem, uma história para contar.
Para cada viagem, uma bagagem a mais e outra que não vai nos acompanhar.

Deixe de contar as horas e passe a contar alegrias. Um sorriso verdadeiro contagia uma nação.

Erre a letra da canção, mas cante. Aumente o tom e desafine, mas cante.

Levante a bandeira da esperança, pois sempre vai haver uma criança segurando a sua mão.

Tuka Borba

P.S. (Cultive a Fé em novas possibilidades. As oportunidades se renovam todos os dias.)

A esperança do amor – Por Cláudia Costa

“Quando o amor para de um dos lados, o relógio intelectual morre. Não se vive desprovido de gentileza. A gentileza é o amor em movimento.”

– Fabrício Carpinejar –

Essa foi uma semana privilegiada por conversas instrutivas. Fabrício, Cortella, Nietzsche, Martha, Mia e alguns outros nomes de acolhimento encontraram-se comigo e algumas alunas para um bate-papo interessante acerca de tolerância – que nosso querido Cortella prefere chamar de “acolhimento” -, intolerância e outros temas tão em voga, nesses dias de discussões políticas e ideologias acirradas.

Para começo de conversa, não tratamos de papos políticos, nem nada do gênero. Tratamos do olhar e da forma como o exercitamos. Para você que chegou em minhas letras agora, vou contar que tenho essa mania-necessidade de exercitar a forma de olhar, a vida, os outros, os bichos e tudo que chega de encontro às minhas retinas ou ouvidos. Sim, o que ouço transformo em pensamento, e os meus são uma grande tela à espera das cores para pintar os quadros internos. Mas, cadê a esperança deste texto? Respire fundo…inspire devagar e deixe o texto entrar em você. Acolha os desenhos destas letras e forme seu próprio quadro mental. É aqui que a esperança e o amor se encontram. Nesse seu pequeno exercício.

Confesso que tenho certo déficit de esperança quando os assuntos são os mais gritantes para nossa sociedade. Ao longo da vida não consegui alimentar ambições e não sou “carnívora”. Nego-me a debater com o coleguinha de ideias inflexíveis, seja lá qual for o tema. Amo quando as opiniões do outro encontram abrigo entre minhas convicções. Acho o máximo! Mas é raro…Geralmente me assusto com a voracidade alheia em defender com dentes, unhas e objetos afiados suas ideias e isso, meu caro leitor, é de dar uma preguiça de ouvido que nem lhe conto!

Ops, divaguei…perdão. Voltemos à esperança. Depois de muitas conversas ao pé das letras, com os amigos citados, e alguma finalização de arte com as alunas amigas, demos as mãos e concordamos que, sem esperança, não há vida. Sem esperança, a generosidade definha, tornamo-nos avarentos e mesquinhos dentro de nossa ideia inflexível. Somente a NOSSA é a real e aceitável, tudo em volta torna-se o “inimigo”. Quando nos falta esperança, entramos em estado de sítio, ficamos incapacitados de entender um amigo, por pura ambição. Objetivamos ter uma razão de ditadura, uma poupança alimentada por nossa mesquinharia emocional.

Esperança, meus lindos leitores, é acreditar na calma, na certeza dos dias que nascerão e na tranquilidade de que não é preciso acertar sempre. Esperança é plantar ideias, sorrisos, afetividade, mesmo em solo arenoso. É quase como crer em milagres. Nos milagres diários, cultivados na psique e no coração do coleguinha super sábio de todas as coisas. É entender que não é necessário fazer do conhecimento um fator limitante, mas, ao contrário disso, procurar a sapiência nas palavras do outro, procurar na diferença a brecha para um novo entendimento, algo que some ao nosso acervo pessoal.

Acredite [ou não], até os mais simplórios e menos estudados contêm um saber diferente do seu e que, se você permitir, pode ser bastante útil e interessante. Creio que seja isso que nosso filósofo Cortella chame de acolhimento. Abrir brechas no seu saber para incorporar um pouco da ideia do outro. Carpinejar me contou que esperança é educação e, embora nunca tivesse olhado dessa forma, concordei e acolhi esse conceito. Quando a esperança acaba, resta a raiva e o alimento passa a ser o ressentimento. Quase tudo se torna arma e farpa pessoal. A esperança é perceber que haverá outro dia, as ideias vão mudar, porque esse é o ritmo da vida: movimento, mudança. Nós não respiramos duas vezes o mesmo ar.

A esperança torna a vida melhor, abre-nos as portas da mente, abre a liberdade de cometer o mesmo erro, porque entendemos que a vontade de seguir em frente é maior que os julgamentos e sentenças alheias. Experimenta a esperança quem crê no perdão de si mesmo.

Convido você ao exercício proposto. Crer no ritmo da oxigenação, na vida no seu ritmo, no respeito ao seu tempo. Quero ver o brilho nos olhos renovados pelo novo. Convido à teimosia de existir acolhendo sua própria alegria, deixando de lado quem não entende de sorriso. Seguir acreditando em si, entendendo que o erro de antes pode ter sido a janela se abrindo para o acerto do agora. Acreditar que amar é acolher, é continuar sendo até acertar a companhia.

Cláudia Costa

Esperança – Por Heleny Galati

No dia em que ela completou 7 anos, descobriu duas coisas: a fotografia de uma pequena casa com uma família na frente e Deus.

A imagem marcou profundamente a menina. Não que a casa fosse luxuosa, na verdade era um pequeno casebre de alvenaria, metido no meio de algumas outras, tinha paredes manchadas de cinza, onde ainda se podia ver o branco que costumava usar. As janelas, nada enquadradas, eram pintadas de um verde escuro. O que atraiu o olhar de imediato foram as rosas no jardim e o sorriso no rosto da família. Foi então que, pela primeira vez, orou ao Deus que entrara em sua vida, trazido pela mãe e por alguns outros parentes.

Ela queria uma casa assim, nem precisava ser tão grande e exótica, apenas rosas no jardim e gente sorrindo seria o bastante. Comida na mesa suficiente para não ter que ir para a cama com o estômago cantando uma canção triste e alguns livros para poder conhecer mais do mundo onde vivia. Ela queria apenas uma vida.

A menina orou. Todas as noites, orou com o coração posto em cada palavra. Não era apenas de palavras que suas orações se compunham; ela procurava não mentir, mesmo quando a verdade lhe custava marcas de sangue no corpo e o abandono num canto. Evitou sentir inveja de quem possuía mais do que ela, agradecendo todos os dias pelo que tinha.

Sempre, não importava o quanto eles lhe ferissem, ela auxiliava a todos, especialmente ao pai e a mãe – como Deus dizia que tinha que ser. O tempo todo cônscia de sua responsabilidade como filha. Nunca reclamava de acordar cedo para preparar o café da manhã. Se o pai precisava de ajuda na mendicância, ela abandonava a aula de que tanto gostava e o acompanhava. Uma criança sempre trazia mais dinheiro para casa.

Nunca dizia ‘não’ à mãe, não lhe importava o pedido feito, a ordem dada. Ela a cumpria com presteza, amor e determinação. As costuras que a mãe fazia passavam por suas mãos jovens, que lhes davam acabamento e delicadeza. Ela bordava como se houvesse feito isso a vida toda. Bem, ela costurava desde que entendera o processo de usar a linha e a agulha para fazer arte.

Cuidava de todos, deixava de lado seus anseios, guardando-os para o momento em que, no pequeno colchão ao canto da cozinha, dormia, olhando muitas vezes a lua. Então, ela pegava a pequena foto e, sorrindo, não pedia mais, apenas agradecia por mais um dia.

O tempo passou, mas a vida pareceu imutável para ela, mesmo passados 33 anos depois daquele dia de descobertas. Os pais haviam envelhecido, e em sua rotina somara-se o pai inválido com Alzheimer e a mãe cega e esquizofrênica. Limpava seus corpos, alimentava-os com seu trabalho na máquina de costura e os belos bordados.

Quando o pai morreu, ela chorou, mas sabia que ele seguira para um local melhor. O mesmo ocorreu quando a mãe partiu. Todo dia agradecia pelo dia que se iniciava, toda noite agradecia pelo dia que terminava.

A velha foto estava agora em um porta-retrato na mesma casa em que nascera. Continuara sozinha, seguindo com suas orações. Era o melhor que podia fazer. Paciente criatura viva. Compreendia que Deus a testava em suas convicções e fé. Ela orava, ia à igreja, era voluntária na creche e no abrigo de idosos. Compartilhava o pouco que tinha. Chegava a não comer para alimentar os famintos. Suas noites pertenciam à solidão, ao frio e à fome.

Um dia, quando passava por um espelho que ela não tinha em casa – vaidade era pecado – percebeu a silhueta curva, o rosto amarelado e repleto de linhas repetitivas. Quase não se reconheceu.

Os anos agora trouxeram outras dores. A doença era um tipo de companhia constante. Sozinha, algumas vezes não podia se levantar da cama. Numa manhã de agosto, a janela não abriu como sempre. Os pedintes não foram atendidos. O padre notou que as flores do altar não haviam sido repostas. Amaldiçoaram a preguiçosa e egoísta que os deixará sem suporte, provavelmente perdida em algum deleite ou prazer.

Os dias foram passando como sempre. Notícias de enchentes aqui, seca acolá. Uma nova guerra. Novas vidas e novas mortes. A casa continuou fechada. Outras pessoas alimentaram os pedintes. Uma outra mulher trocava as flores dos vasos da igreja. Quase ninguém pensava nela.

Meses depois, quando uma prima distante veio à procura de ajuda, o corpo frio, meio decomposto, foi encontrado ainda na cama. Nas mãos o livro de orações, no peito a foto da casa com a família feliz.

Heleny Galati

Da minha fé – Por Marília Felix

Nesta sexta-feira, recebemos a querida amiga Marília Felix!

Da minha fé…

Sou tudo aquilo que meus vinte e um anos me fizeram ser. As minhas emoções nunca são rasas e os sentimentos que carrego dentro de mim constituem as minhas verdades.

Decidi não me importar mais com opiniões alheias, tampouco ouvir pessoas que em nada me acrescentam.

Não gosto de estar longe nem perto. Gosto de viver com o que me faz bem. Eu tenho olhos alargados. Estes, muitas vezes, falam melhor do que minhas palavras.

Sou adepta dos meus silêncios, das minhas vozes mudas, da sabedoria que enxergo à medida que confio em Deus.

Sobre os meus medos (sim, eu tenho vários), procuro amanhecê-los a cada dia sob um novo olhar.

Não sei muito sobre a vida, mas carrego comigo sempre um punhado de fé e esperança.

Marília Felix

Quem é Marília?

Marília Felix é menina-moça de letras sensíveis e delicadas. Escreve o que sente no coração e tem na fé o seu mais importante escudo.

Blog: http://meus-desvaneios.blogspot.com.br/.

Horizonte #17 – Por Poeta da Colina

Respiro fundo diante do desafio. Este é meu último horizonte. Tento olhar além, em algum infinito e descrever tudo que meus olhos conseguem enxergar. Penso que, se continuar a escrever enquanto admiro o canto do mundo, talvez em alguma momento revele o segredo que muita gente aguarda. A verdade é que, da mesma forma que a junção da terra com o céu é mera ilusão de ótica, tudo que eu possa colocar neste horizonte será abstrato. Ideia, ideal, sonho, desejo, e são tantos os nomes que podemos dar a tudo aquilo que ainda não é. Mas noto agora que é exatamente isso que podemos controlar.

Quando crianças imaginávamos. Podíamos transformar qualquer objeto, qualquer canto de chão, de quarto, de quintal em um universo. Não éramos feitos de limites nem de impossível. Crescendo, voltamo-nos ao que está ao nosso alcance e deitamos todos os dias cheios de sonhos para o amanhã. Ao acordar sem tudo aquilo que queríamos, vamos aos poucos deixando nossos desejos mais verdadeiros e passamos a chamar todas as chances deste horizonte de ilusão. Não digo que temos que voltar a criar universos e viver em outra realidade. Mas é preciso entender que sonhos levam tempo para serem construídos, que vidas bonitas e resolvidas são uma luta diária e árdua.

Se tratarmos tudo que desperta dentro de nós e tem força suficiente para se projetar em nosso futuro como mera mentira, um peça pregada pelos nosso sentimentos, encontraremos apenas uma memória daquilo que queríamos ser. Já, se olharmos para este horizonte todos os dias e chamarmos essas sensações de desejos e sonhos, teremos um norte que podemos construir aos poucos por dentro. O mais concreto que temos neste amanhã é aquilo que levamos para ele. Seja ilusão ou seja verdade.

A fé não é simples, ela depende de um voto de confiança naquilo que só existe como ideia. Então, em vez de olhar para seus sonhos e se ver frustrado por todos serem tão frágeis como o ar, olhe para suas mãos, olhe para seu espelho. Você é real! Você é o elo de todo imaginário com a realidade, você é quem pode livremente passear entre os dois. A infância te ensina sobre um dos mundos, quando adulto aprende-se sobre o outro, pois seja sábio, seja forte, seja corajoso e una os dois. Nós somos os instrumentos. O encontro de céu e terra pode até ser imaginário, mas somos os únicos que podemos vê-lo.

Poeta da Colina

Plenitude – Por Tuka Borba

 

Quando a saudade se veste de cinza e cruza meu caminho.
Quando os tons da incerteza me assombram pela casa.
Alargo as asas do sentimento, elevo o pensamento, trituro lembranças.

Fagulhas de esperança, sobras de amor.
Um olhar perdido, misto de dor.

São passagens perigosas.

Vi um milhão de rosas cair sobre o mar. Altar do sol.
Um arrebol de artifícios, de cores macias, que cria e transforma, transcende e alivia.

Em sono profundo, dormi em um mundo de acreditar.
Acordei chorando, ao sonhar com as razões que me assaltam.

Pensei no bem e no mal.
Me banhei no sal da terra.
Travei uma guerra em nome da paz.

Segurei meu eu entre os dedos.
Tinha medo, mas também tinha fé.
Colhi um pé de virtudes.

Repousei.

Alinhei os joelhos e segui.

Eu estava na mais inteira plenitude.

Tuka Borba

Esperança – Por Heleny Galati

Esperança. De que tudo seja diferentemente igual? Não, de que seja definitivamente diferente. Abro os olhos cada manhã na esperança de ver menos pessoas marginalizadas, crianças abandonadas. Até mesmo, menos gente.

Num planeta finito como nosso, muitas vezes, menos é melhor. E menos gente para precisar de recursos, menos poluição, daria tempo para a Terra se recuperar e não ir morrendo aos poucos.

Certo, um dia a Terra irá morrer, nossa estrela brilhante, que nos acorda todas as manhãs, é finita. Um dia partirá, mas não estamos antecipando as coisas? Quem sabe, se tivéssemos mais atenção àquelas simplicidades que realmente importam, perceberíamos quanto poder temos. Neste exato instante o estamos usando para destruir. A natureza e a nós mesmos.

Como modificar esse egoísmos arraigados que temos, de que nossa sobrevivência depende da destruição de outros? Quando seremos capazes de compreender melhor a própria natureza humana a ponto de, pouco a pouco, mesmo que não perfeitamente, eliminarmos os preconceitos, as divisões e, como a natureza, tornando simples o complexo.

Eu sempre desejei encontrar um meio para explicar às pessoas o que acontece à nossa volta. Mostrando de forma clara como estamos modificando e interferindo em forças que não estão sob nosso controle.

Minha solução: educação, simples palavra, mas com complexa interação em nossa vida. Precisamos tanto dela.

Não falo apenas de matemática, português, e outras matérias que figuram em nosso currículo. Precisamos de algo como integridadade. Sim, estamos em um momento do desenvolvimento humano no qual precisamos ensinar o que é integridade à nossas crianças e jovens. Respeito, orgulho por seu pedaço de chão e seu pouco de ar.

Nada resolve formar-se cidadãos conscientes se essa cosnciência não for global. Fala-se tanto disso nas escolas, mas na verdade é pura propaganda. Os próprios profissionais não são coerentes em seu comportamento e todos nós sabemos: um ato fala mais que mil palavras.

E os pais, perdidos em sua arrogante procura pelo sucesso efêmero, transformam crianças em pequenos mosntros de preconceito e egoísmo. Isso perdura na idade adulta, temos eternos adolescentes mimados que nunca querem ser contrariados, nem pensar nas consequências de suas atitudes.

Mas era de esperança que falava. Sim, sou uma “estúpida” e completa idealista. Acredito na capacidade que temos, mesmo que sejamos poucos, de modificar, por meio do exemplo, esse mundo. Respeito, lealdade, fé, moral, honra, voltem a ser palavras significativas na mente de todos e, principalmente, de nosso jovens.

Essa minha esperança não significa perder a liberdade, sequer ser obrigado a determinado comportamento por meio da lei ou religião. Falo da eterna consciência que abrigamos. Ela sempre nos alerta para os riscos e erros, quase não a ouvimos.

Esperança. A minha só irá morrer quando eu morrer. E vou viver muito ainda para tentar dar minha pequena cota de exemplo nesse mundo.