A felicidade é distraída – Por Daniela Lusa

Dizem que ela anda por aí, dizem que ela mora ao lado. Sempre duvidei. Há que viva com ela, há quem jamais a tenha encontrado. Nunca encontrei, por mais que tenha procurado. Até que eu descobri que há coisas pelas quais não devemos procurar.

Foi em uma destas esquinas da vida que eu esbarrei com ela, por acaso. Era segunda-feira, o típico dia do mau humor. Lembro que estava com pressa, com milhares de coisas na cabeça, pensando em soluções para problemas que eu mesma havia criado. Eu me sentia exausta, nem percebi que seguia por uma rua sem saída. Meus passos apressados e meu olhar meio perdido não me deixaram notar que ela vinha em minha direção. Afinal de contas, como eu poderia esperar avistá-la, se ela sempre havia fugido de mim? Se eu ia pela rua, ela ia pela calçada. Se eu tentava segurar a sua mão, ela escapava e andava mais depressa, não conseguia alcançá-la. A verdade é que eu já tinha desistido dela, até que senti o impacto de nosso encontro. Não pude desviar, foi inevitável. Meu corpo todo estremeceu e eu não soube o que dizer.

Pedi desculpas por ser tão desastrada, ela pediu desculpas por ter me evitado por tanto tempo. Olhei bem dentro dos seus olhos e senti que era sincero o que me dizia. Confesso que eu não soube o que dizer. Eu nunca sei o que dizer. Menti que estava atrasada para um compromisso qualquer, despedi-me e mudei o meu caminho. Senti a pele arrepiar quando ela segurou a minha mão e pediu para me acompanhar. Como negar tão adorável companhia? Confusa e um pouco assustada, concedi com um leve movimento da cabeça. E ela não soltou a minha mão.

Desde aquele instante, a Felicidade tem andado ao meu lado. Dorme na minha cama e almoça comigo todos os dias. Caminhamos de mãos dadas já há algum tempo, e eu não sou capaz de dizer o quanto sou grata à vida pelo nosso esbarro. Mas acontece que, às vezes, ela tropeça em alguma lembrança ruim ou em alguma mágoa qualquer e a gente quase cai. Eu a puxo de volta e sinto a dor que o tropeço nos causa. Custa prestar atenção por onde anda? A Felicidade é distraída. Pior é quando eu não a compreendo e insisto em seguir por caminhos que não nos levam a lugar algum. Ela se chateia comigo e eu a entendo. A verdade é que eu nunca soube andar de mãos dadas. Muito menos com ela.

Hoje eu sei que ela não anda por aí à toa, nem mora ao lado. A felicidade está nos caminhos que percorremos, nos momentos que dividimos, nos sorrisos que provocamos. Só preciso aprender a caminhar de mãos dadas, sem tropeçar.

Daniela Lusa

Caderno de Receitas – Por Lunna Guedes

*A imagem veio daqui

Em tempos contemporâneos, as pessoas vivem em busca de receitas e, a mais procurada visa uma única coisa: a felicidade. Que coisa mais estranha – penso eu…

Eu, que nada sei de receitas, visto meu melhor sorriso e levo meu corpo para espiar o que se passa junto à varanda. Imediatamente, lembro que vivo meus últimos dias junto a essa paisagem… Hoje havia neblina. As árvores em fila ao longo da alameda pareciam ter chamado pelas nuvens e, lá estavam elas: misturando cenários.

Recordei-me de que, certa vez, ainda menina de poucos anos, estava a ouvir coisas alheias, em plena sala de aula e, de repente, a professora disse: “quando a pessoa morre, vai para o céu” – arregalei os olhos e procurei pelas nuvens do lado de fora – me senti tão incomodada, porque, para mim, aquele era o lugar dos pássaros, e para onde eu ía quando fechava os meus olhos. Por sorte, o silêncio orientou-se em mim dentro daquele segundo e eu nada disse… O mundo dos religiosos e de quem acredita é cheio de reticências e é preciso respeitá-las, mas não tragá-las!

Ao sair da escola – de mãos dadas com C. – meus olhos encontraram aqueles pássaros em seu vôo natural de leste para oeste, percorrendo o caminho do sol, voltando a casa, no final da tarde… Eu tinha a ilusão de que eles existiam apenas dentro daquele instantes – já que não sabia para onde iam – duas vezes por dia. Seus sons e movimentos atravessavam os meus e isso era tudo…

Aqui em São Paulo não há, pelo menos nunca vi, pássaros em vôo de oeste a leste pela manhã e de leste a oeste ao final da tarde. Mas há o canto dentro da madrugada para incômodo de alguns… e, eu apenas me divirto ao ouvi-los quando minhas letras ganham ritmo. Gosto da poesia que existe nesse canto, pois nunca antes tinha ouvido pássaros madrugadores!

E, foi justamente dentro da última madrugada, revisando “lua de papel”, que me lembrei de M. – mãe do mio amore – que tinha dois cadernos de receitas. Sua caligrafia era antiga, dessas que se aprendiam no colégio: uma espécie de desenho, legível até certo ponto… bastando apenas aprender a decifrar os símbolos, porque não existe letra bonita, existe símbolo e, são eles que identificamos…

Pois bem, lá havia dúzias de receitas, algo que eu nunca soube apreciar… ela, contudo, sempre que precisava fazer uma sobremesa ou um prato qualquer, recorria ao seu velho caderno, porque a memória já não era a mesma… fazendo-se necessário o auxílio, cada vez mais preciso…

Certa vez, estava em sua cozinha, vendo seus movimentos entusiasmados, por estar a fazer um doce para o “nosso menino”… quando M. disse: “pega o branquinho, vamos colocar uma colher de café bem rasa, apenas para ficar macio”.

Ela tinha aprendido ao longo de seus dias o que era preciso para melhorar aquela mistura de ingredientes. Nona também tinha esses “segredos”… pequenos detalhes. Coisas que nenhum caderno de receita revela, porque eles se ocupam apenas dos ingredientes e suas quantidades… como na vida, em que nos dizem: “viver se trata de nascer, crescer, aprender, amar, envelhecer e morrer”. Parece tão simples, agora vai lá fora fazer isso…

Quando vou para a cozinha, separo os ingredientes todos – hoje à noite quero fazer um jantar para dois – e minha alegria começa com a escolha do prato… vou ao mercado, seleciono o que quero e, automaticamente, rememoro as coisas que aprendi com a nona para escolher os legumes: aperta, sente… me apodero da sensação e pronto: sou feliz por alguns segundos, mas confesso que eu nunca soube dizer-me feliz ou infeliz, alegre ou triste. Eu tenho os meus momentos… os melhores sempre foram vividos em estado de melancolia…

Talvez seja assim porque ser feliz nunca tenha sido uma preocupação… Eu sempre achei que felicidade fosse objeto comum. Há dias alegres e tristes. Dias felizes e infelizes. A vida não pode se resumir a um único ingrediente… Afinal, para fazer uma bela pasta, é preciso: tomates, cebola, azeite, alho, cenouras e a massa, que também se divide em muitas opções… é preciso escolher a maneira como lavar, cortar, descascar, picar e, quando se leva os ingredientes para a panela, existe uma ordem natural que aprendemos com o passar dos dias…

Então se quer mesmo ser feliz – penso eu – é melhor seguir a ordem natural das coisas que trago em mim: acordar tarde e dormir cedo… abrir as cortinas quando a noite acontece e fechá-las quando o sol insiste em dizer suas cores. Tomar banho de chuva… fazer chá com ervas maceradas entre as mãos. Caminhar por calçadas lilases. Pôr a mesa. Colher flores. Chupar laranja. Ler Borges, Eliot, Emily. Escrever missivas. Lembrar coisas antigas – da infância-juventude – porque os ponteiros estão lá apenas para avisar “que o tempo passa” e, não para te dizer o que fazer… mas, você se esquece disso em algum momento, e deixa que os outros determinem seus passos! Então, um dia, você desperta, querendo receitas para todo tipo de coisa…

E, num susto… acaba percebendo que já se passou um quinhão de anos. É tarde demais! Não existe uma só receita que dê jeito nisso. Mesmo assim, você insiste e passa a usar as regras inventadas por gente que chegou lá antes de você.

Tal e qual Borges,
“Às vezes sinto medo da memória”.

Lunna Guedes

A felicidade como escolha – Por Tatiana Melgaço

Quem, nesta vida, nunca se viu numa encruzilhada, precisando tomar uma decisão? Algo comum, não é? Você simplesmente pensa, pesa prós e contras e decide por uma das opções. Sempre funcionou assim!!

Passei pelo mesmo processo… ou quase! Estive na encruzilhada, teoricamente tendo que optar entre duas escolhas. Foi aí que inovei, foi aí que vi que cresci e sou livre. Saí da zona de conforto sentimental e simplesmente escolhi a terceira opção… Aquela que nunca existiu claramente, mas sempre esteve lá, invisível, porém firme. Sim, escolhi não escolher nenhuma das opções que a “vida” pôs em meu caminho. E sabe por quê? Simples: Já sei o que é melhor para mim. Já sei dizer ‘não’ ao que não vejo me trazer felicidade e que só agrega satisfação momentânea!!

Não sei se isso é sinal de que cresci de verdade… E a tal maturidade verdadeiramente chegou. Ou se simplesmente estou corajosa demais para não me contentar com o óbvio!!

A única verdade que sei bem aqui dentro de mim é que não aceitarei em minha vida nada que não me acrescente verdadeiramente. Talvez essa seja uma afirmativa carregada de egoísmo… Que seja! Egoísmo, às vezes, faz parte, quando é para nossa própria felicidade!!

Preciso ser bem clichê e trazer uma frase que rola nas redes sociais, mas que super me representa neste momento: “Reescreva-se. Republique-se. Reinvente-se. E, transforme-se na melhor edição feita de você!”.

Um brinde à verdadeira felicidade… Àquela que escolhemos para nós!!

Tatiana Melgaço

Fatih – Por Heleny Galati

 

Era manhã de inverno, nenhum céu deveria ser tão azul assim nos dias de inverno. Muito mais que azul, ele resplandecia sem a mácula do branco, apenas em total sintonia com a intensidade do amarelo do sol. Fatih abre os olhos lentamente, ele precisa despertar para a realidade de novo, os sonhos têm sido, há algum tempo, seus melhores companheiros. Deitado na entrada do pequeno abrigo que construíra antes de adormecer, seu coração insiste em lembrar o que sua mente deseja esquecer. Nunca compreenderia o destino, mesmo que morresse e nascesse mil vezes, ainda assim não conseguiria associar o dar e tirar com lições, sentido e aprendizado. Para ele, sentado agora numa pedra branca, debaixo de uma árvore também branca, era apenas dor sem objetivo.

Fatih esquecera de onde viera, preferia pensar que ainda estava seguindo para o local onde iria nascer. Era espécie de alma viajante, seu físico apenas uma simples ‘mala’, que carregava quem era. Assim, pegou as poucas frutas que colhera pelo caminho no dia anterior, o pedaço de pão, pelo qual trabalhara por algumas horas, e seguiu, sempre em frente, sempre para a montanha.

Süphan Dağı o chamara em sonho. Logo depois do “destino” ter feito sua parte, a montanha aparecera em seu primeiro sonho sem sangue, sem negro, sem lágrimas. Não havia voz, apenas o som do vento no topo e o sol logo à frente. Ele sabia que era seu nome que ela clamava. Levantou-se da cama, na casa de seus pais, pegou o pouco dinheiro que ainda possuía, alguns poucos bens que tinham algum significado e seguiu sozinho, sem nada dizer.

Estava na estrada havia dois anos, dois anos nos quais se esquivava das pessoas. Parava em um povoado ou outro, apenas quando a necessidade de pão era maior que o desejo de solidão. Executava alguns poucos trabalhos rápidos, recebia seu pagamento e seguia. Sem falar, sem olhar, sem sentir.

Sabia que estava perto agora, seu caminho falava com ele, e as palavras da última noite eram de que o fim se aproximava. Ele pensou, fim? Não era apenas o começo para ele. O fim acontecera dois anos atrás.

Fatih era um jovem trabalhador em sua vila. Filho carinhoso e atencioso, irmão presente e companheiro. Seu trabalho na lavoura rendia à família pouco, mas o suficiente para que tivessem um bom fogo, roupas e algumas sobras para trocar por coisas supérfluas, como o lindo vaso que a mãe ostentava com orgulho sobre a mesa da cozinha. O que o havia enchido de orgulho fora poder comprar o anel para Asya.

Asya, com seus longos cabelos da cor das toras que queimavam no fogão. Mulher de olhos amendoados, cor de âmbar escuro, perfume de flores e voz de fada. Ele se apaixonara por ela sem pensar. Não fora escolha, fora destino. Em tal tempo, ele aceitava essa explicação: destino. Sua felicidade era tanta que transbordava no olhar. Asya percebeu, deixando que ele vislumbrasse que, para ela, era da mesma forma. As famílias estavam felizes. Mesmo que o casamento tivesse sido escolha dele, o destino, este não poderia ter unido duas almas melhores. Era inverno, na primavera eles se casariam.

Fatih queria presentear Asya com algo que representasse seu coração. Um artesão lhe ofereceu o anel de prata, com pedra vermelha como o fogo. Era caro, ele teria que economizar muito, mas era isso. Esse seria o símbolo.

Num dia de neve e sol, Fatih entregou o anel à Asya. Os olhos da mulher não faiscaram pelo objeto, ele não vislumbrou orgulho ou posse nela. O que viu, quando olhar cruzou com olhar, foi um amor infinito, repleto de calor e esperança. Esperança que ela compartilhava com ele. As mãos se tocaram pela primeira vez, foi apenas um roçar, que deixou certo o sentimento de ambos.

No dia seguinte, Fatih seguiu para o trabalho no campo. Asya decidiu segui-lo ao longe. Ela não sabia a razão, apenas aceitava o que o coração dizia. Após duas ou três horas de um trabalho intenso e repetitivo, ela viu dois homens se aproximando. O destino havia trazido-a até ali, agora ela compreendia a razão. Sultan e Kadir silenciosamente se aproximam de Fatih, o claro objetivo era matá-lo. Sultan esperava ser o consorte de Asya, o ódio pelo caminho que as coisas seguiram levou-o até aquele campo, naquela manhã de inverno.

O branco da neve refletiu o brilho da faca, Asya sentiu como se o metal lhe pertencesse. Sem pensar, atirou-se entre o metal frio e o corpo quente de Fatih. A faca entrou em seu peito, seguindo direto até seu coração. Asya morreu olhando nos olhos do homem que amava, sentindo seus lábios e suas lágrimas. Sultan e Kadir figuram, deixando a neve vermelha e Fatih sem vida. Dois morreram naquele dia.

A montanha estava à sua frente, majestosa em suas roupas de poder. Branco, tudo era do mesmo branco daquele dia no campo. Ele precisava subir. Iniciou a subida sem medo. O corpo perdera os sentidos, o medo o abandonara junto com a vida. Dois anos sem razão para ele. Dois anos sem Asya, somente nos sonhos ela aparecia.

Quando contassem sua estória, ninguém conseguiria explicar como ele chegou ao topo. Sem comida, sem roupas adequadas, sem sequer saber o caminho. Alguns diriam que foi sua loucura, outros, a fé. Poucos compreenderam que o guia foi o amor.

Fatih atingiu o topo no exato momento que o sol se punha. Olhou maravilhado para as cores, imaginado a bela Asya num vestido de casamento que as ostentassem. Asya, sua doce Asya, ela deu a vida por ele. A montanha falava com ele, um poema ritmado sobre a caverna e a dama. A dama de negro que o esperava.

Fatih entrou na boca escura envolta no manto branco, tênue luz azulada o guiou ao fundo. O salão era amplo, fresco e morno, combinação estranha. Pequenas flores amarelas e alaranjadas ornamentavam pontos estratégicos. Uma poltrona coberta de grama fresca o convidava . Ele se sentou, fechou os olhos e mergulhou no mundo no qual podia viver. Dessa vez não foi Asya que apareceu. A mulher de cabelos avermelhados, olhos escuros e sorriso que quase o engolia estava parada, esperando. Ela estendeu a mão, nesse toque ele deixou fluir toda a dor que carregara por tanto tempo. Ela absorveu, sem que seus olhos perdessem a força, ou o sorriso e a beleza. Ela tirou dele tudo. Então, Fatih acordou.

Não se encontrava mais na caverna, estava na borda de uma vila. O amanhecer cantava no horizonte, a fumaça saía pelas chaminés e o cheiro de pão sendo cozido embriagava. Ele se levantou e percebeu que suas roupas eram de uma fina lã, quente, imaculadamente brancas, acompanhadas de confortáveis e aquecidos sapatos. No bolso do casaco, encontrou um pequeno saco. Imaginou que fosse alimento, mas ao abrir apenas viu pequenas pedras coloridas.

Caminhando lentamente, entrou na vila. As portas iam se abrindo à sua passagem. As pessoas se curvavam em reverência, ele pensava que finalmente havia enlouquecido. No centro da vila, em frente à pequena e simples mesquita, ele parou. Alguém, envolta em um manto negro de lã, segue em sua direção. Quando ela baixa o manto, ele pode ver seu rosto. Foi como se o sol nascesse apenas para ele, como o mar cantando suas notas de ir e vir, apenas porque ele ali estava. Uma rosa branca surgiu no meio de um arbusto, ele a colheu e entregou para a jovem mulher. Os olhos se encontraram e ele compreendeu agora. O destino lhe tirara e agora lhe devolvia. A vida, o amor e a esperança.

Fatih se casou com Şebnem. Ele e ela governaram a pequena vila. O amor deles, a sabedoria combinada, fizeram a vila transformar-se em poderosa cidade. Juntos tiveram apenas uma filha, a quem ele chamou de Asya. Şebnem era a luz de Fatih, Fatih era o existir de Şebnem. Quando o tempo de seguir chegou, deixaram Asya e seu escolhido cuidando do povo. A pequena vila se transformara no Reino de Süphan Dağı.

As últimas palavras de Fatih e Şebnem para a filha foram: “a única coisa que pode trazer à vida um mundo morto é o amor, nada mais”.

Heleny Galati

O importante é se aceitar… e ser feliz!!! – Por Tatiana Melgaço

Pensando sobre os gordos, muitas vezes reflito comigo mesma: como a nossa sociedade é preconceituosa, né? E o mais engraçado é que, quando somos bebês… as pessoas nos adoram gordinhos. Quanto mais dobrinhas, melhor – mas desprezam essas “dobrinhas” quando ficamos adultos.

A sociedade tem problemas com os gordinhos. Todo mundo olha diferente para um gordo. Quem quer dividir o banco de ônibus com um? E na praia… gordo é sinônimo de ponto de referência!!! Chega a ser nojento…

Pessoas acham que gordura é doença. Nem sempre é, eu garanto! Gordos podem ser saudáveis… mais que magros até!! Esse pré-conceito faz com que o gordo seja discriminado, até mesmo nos ambientes profissionais. Gordos são mais empenhados e esforçados, pois já sabem que serão olhados de forma diferente. Fala a verdade… a maioria dos gordos que você conhece é inteligente, muito dedicada e se destaca profissionalmente, não é?

Gordos são ótimas companhias. Bebem e comem de tudo, não têm frescuras. São engraçados, agradáveis e felizes!! Não contam calorias nem ficam se preocupando com o que os outros vão pensar.

Sempre fui gordinha, exceto quando nasci, que pesava 2.450 kg e media 45 cm. Uma verdadeira miss!! A partir daí, comecei a trilhar o caminho genético… sempre bujãozinho!!! Linda, me permitam a metidez, mas gordinha!!!

Eu sou gorda. Lutei muito contra esse rótulo, até que o aceitei. Fiz dietas, fiquei magra e muito infeliz contando calorias… Achava que só magra seria feliz e recomeçaria minha vida pós-divórcio. A vida me provou que eu estava errada. Voltei a engordar. Namorei muito!!!  Nada mudou, exceto a dificuldade de encontrar roupas bonitas, porque vamos combinar, lojistas pensam que gordo tem que se vestir mal!!!!

Atualmente faço dieta. Estou 42 kg acima do meu peso ideal e isso começa a me levar ao lado perigoso para a saúde. Mas, só quero emagrecer 20… porque ser magra, definitivamente, não é para mim!!!

No final das contas, não importa ser gordo, magro, feio, bonito, alto, rico ou pobre.  O importante é se aceitar, não ter vergonha de ser como é…  e ser feliz!!!!

É urgente ser feliz! – Por Tatiana Melgaço

Aprendi que a vida é a arte da conciliação. Aprendi a ceder em várias situações para que tudo ficasse em paz. Aprendi a abrir mão de muitas coisas em prol do bem-estar de outras pessoas.

Fui criada cedendo, abrindo mão, vez ou outra me anulando. Certo ou errado, nunca me importei.

Hoje, me sinto roubada… e questiono minhas atitudes.

Onde estão meus sonhos e desejos? Já não sei mais. Talvez sejam ecos perdidos por aí…

Não suporto mais abrir mão de tanta coisa, priorizar e não ser priorizada.

Sim, talvez esteja num momento de revolta. Mas, de que adianta essa revolta, se quando tento, não consigo reagir, não consigo me priorizar? O medo de decepcionar e magoar o outro me domina…

Dentro de mim há uma voz que grita pedindo liberdade. Quero poder, enfim, ser livre para sonhar, desejar e realizar.

Sem medo de ser feliz tornando alguém infeliz!