Da arte de (re)inventar – Por Daniela Lusa

Hoje eu tentei escrever uma nova história. Pensei em personagens, imaginei um enredo, construí um cenário, defini o tempo e o espaço. Fiz até diálogos. Quis inventar algo novo, pensei em uma história que nunca existiu e que jamais poderia existir. Eu queria contar a história de um alguém diferente de todos, um alguém diferente de mim. Sentei-me e comecei a escrever.

A cada parágrafo que escrevia, percebia semelhanças com personagens que já são meus, que já foram meus, que jamais serão meus. Em cada linha, encontrava traços de mim mesma, de meus sentimentos já tão expostos e há tanto tempo iguais. Todas as minhas palavras já haviam sido ditas em outras frases, em outras histórias, em tantos outros enredos. Era tudo tão igual que desisti da minha história.

Foi então que me afastei daquele papel cheio de palavras repetidas e suspirei. Aprendi, finalmente, que jamais conseguirei escrever uma nova história enquanto insistir nos mesmos coadjuvantes e não mudar o personagem principal: eu. 

Preciso me (re)inventar. 

Daniela Lusa

Apocalipse – Por Tuka Borba

Um tropeço no novo
Um povo de recomeçar
Crateras invisíveis
Sistema solar

Um lugar de sonhos e cristais
Uma viagem pelo planeta de cada um

Eis a renovação da espécie
E a gente esquece que penou

Sangra a Terra no leito da ilusão
Pelas mãos de quem julgou

É a consciência da destruição

Caem anjos do absurdo
Sepultando o que não volta jamais
Por trás das turvas nebulosas
As novas possibilidades

Metades que se encaixam
Risos e dor
O tempo tão sonhado e o esquálido verde do amor

São promessas aflitas no ar

A voz suprema dita as leis
Não há mais reis nem subalternos

O eterno acaba de chegar

Tuka Borba

Janela #9 – Por Poeta da Colina

Esfriou lá fora, mas ainda não reconheço este inverno. A velha expectativa humana de achar que padronizou a natureza. Nunca sabemos o que esperar, isto sim é uma verdade. Planos são meras diretrizes à mercê do naturalmente improvável. As coisas se desfazem, quem saiu para construir uma família voltou sem nem menos a chance de começar. Talvez seja melhor assim, só fica o medo de seguir sem saber para onde. Acho que por isso o Sol nem me surpreende assim forte, fora de época. A vida faz caminhos improváveis; as pessoas, por sua vez, têm reações imprevisíveis. Tento ser político com sentimentos alheios, não posso julgar, muito menos decidir em seu lugar. Não existe “se eu fosse você”. Sempre decidimos de nossa perspectiva. Aqui de casa o tempo parece querer melhorar, mas não garanto o mesmo ali do vizinho. O dia é o mesmo para todos, o olhar sobre ele depende da alma. Teu olhar fechou o tempo e nossa manhã se sobrepôs ao nosso futuro; mesmo assim saímos do outro lado sorrindo. No final das contas, depois que a chuva cair, a terra vai dar seus frutos. Sempre crescer, sempre construir.

Talvez, se ele usar o bom que restou, ainda poderá formar uma família. Se todos encontrarem paz com o que ficou no passado poderemos conviver. E, sem dúvida, permanecendo sinceros, poderemos seguir em frente. Lá fora não existe nada mais real do que o improvável e o imprevisível.

Danilo Mendonça Martinho

Uma Vida Inventada – Por Cláudia Costa

“Existe uma forma nebulosa de viver

entre sonho e realidade,

que depois quase todos

perdemos.

(Exceto os artistas e os loucos).”

– Lya Luft –

Estes tempos incertos andaram corroendo, silenciosamente, minha calma, minha alma e minha paz. Lá fora, a vida virou zona. A “sociedade” generalizou e abriu o verbo: “Mulheres são culpadas! Pedem para serem estupradas”. Virou notícia e, dolorosamente, virou piada.

A Copa [do Mundo, segundo dizem] é notícia séria, alardeada. Nada sei sobre o assunto, além do fato de que – acontecer no Brasil – tornou minha existência muito mais cara. Enquanto isso, canonizam Jesuítas [precisamos, urgentemente, de milagres!]. Grandes atores conquistam o passe livre para falecer. Guerras pipocam, crianças assaltam e matam, pessoas somem e tudo, absolutamente TUDO, parece ser banal.

A vida vai escorrendo pelos dias, enquanto fingimos que dores são sentidas e, num piscar de olhos, abstraídas. O mundo não para!! Se a gente parar por tristeza, dor, doença ou covardia, o mundo atropela. Experimente dizer, numa roda de adultos, que você simplesmente não quer saber das cobranças de tempo e dinheiro… Vai ser apedrejado! Imediatamente rotulado de alienado, louco, comodista ou derrotado. Triste.

Legal é ser descolado, fazer da [sua?] vida, uma espécie de novela. Trabalhar sempre demais, ter um carro bacana, um status qualquer que seja invejado e almejado pelos coleguinhas, um estresse de estimação, beber um tanto pra esquecer ou “relaxar”, esconder as bolinhas que toma “pra não pirar”, viajar, sair, festejar tudo o tempo todo. Juro que, só de pensar nisso, já fico estafada.

No meio disso tudo, amargo bola nas costas, vislumbro deuses de carne, osso e sorrisos minuciosamente talhados pela máscara da fantasia. 

Nesse solitário brinquedo de existir, alternamos trabalho duro com euforia cintilante.

Vamos trocando interpretações próprias por citações aos montes. Fast-food, papagaios, balas, bombas, barulho, balbúrdia, amores de ocasião. Lutamos alegres, sem tempo pra viver. Sorriso estampado, enquanto o outro sangra, sente fome, mas tira foto. Tudo escondido nas entrelinhas das fatalidades e dos acasos.

Indagar é um desafio permanente. Encontrar tempo pra SER também é.

Cláudia Costa

Feliz 2014! – Uma mensagem de todos os colunistas…

O novo ano se aproxima e, com ele, cada um de nós busca se transformar, encerrando alguns ciclos e dando início a outras inúmeras aventuras! A família Retratos da Alma preparou uma homenagem aos seus leitores e amigos, exprimindo detalhes do que foi 2013 e, também, muitos desejos para 2014!!

Passeiem conosco pelo universo pessoal de cada colunista…

Em 2013, abri trincheiras, encontrei lugares e reencontrei amigos nunca vistos. Ganhei experiência perdendo a noção do tempo, criando mais, guardando muito e me irritando menos. Entreguei o máximo, recebi o mínimo e, observando, decidi mudar, descartando parafusos gastos e apertando os que valem a pena, para continuar inteiro e sorrir mais. Foi o ano de olhar, calar e semear, tornando tudo surpreendente.

2013 foi ouvir, 2014 será falar.

Joakim Antonio

Em 2013, pude perceber que não é possível evitar os problemas, as tristezas, as decepções e desilusões. Mas pude perceber também que, em vez de lamentar pelos momentos ruins, podemos aprender com eles. E eu aprendi!

Aprendi que, para cada porta fechada, é possível vislumbrar uma janela aberta! E vi, bem claramente, o quanto é importante a presença dos amigos em nossa vida. Minha riqueza consiste nas pessoas especiais que tenho ao meu lado (mesmo morando distante!)… São esses meus anjos que fazem tudo valer a pena!

A palavra de 2014, para mim, é AMIZADE! E espero ficar cada vez mais junto dessas pessoas que me dão tanto carinho, que merecem todo o meu amor e que me fazem ser alguém melhor a cada dia!

Hélia Barbosa

2013 foi um ano em que tive oportunidade de me conhecer um pouco mais, reconhecer falhas e buscar os acertos. Nem sempre deu certo, mas a caminhada foi interessante.

Em 2014, quero alcançar objetivos simples e possíveis, aqueles de que eu preciso e pelos quais anseio. Quero ser e fazer gente feliz, estender aqueles momentos que não quero que terminem, iniciar um monte de coisas que desejo terminar.

Catia Netto

Em 2013, descobri um universo que não conhecia, um mundo onde pessoas sofrem perdas enormes e, ainda assim, mantêm um sorriso iluminado e a esperança nos olhos. Aprendi a agradecer diariamente pelo que tenho e a não reclamar… Sou rica de coisas que vão muito além do dinheiro!!

A palavra de 2014 para mim é MAIS… Mais coragem, mais agradecimentos, mais doação, mais fé, mais caridade, mais paz, mais persistência, mais amor, mais EU!!

Tatiana Melgaço

2013 me mostrou que muitas coisas ruins só acontecem porque a gente permite. Posso chamá-lo de ano-escola.

Foi um período de constante aprendizado, passando pelas mais intensas vibrações. Criei textos, canções, fiz amigos, ganhei espaço e ainda construí um lindo laço de amor.

A minha palavra para 2014 é PAZ. Alinhei uma porção de coisas para alcançá-la.

E, desde já, deixo o meu MUITO OBRIGADO à família Retratos, que me acolheu com tanto carinho. Espero que, neste próximo ano, possamos trocar muitos sentimentos bons por meio das letras, e repassá-los da maneira mais positiva a cada um que nos ler.

Tuka Borba

2013 foi um ano que trouxe mais mudanças à minha vida. Novas adaptações profissionais, pessoais.

E também me abençoou com amizade de pessoas preciosas. Foi um ano muito bom. Minha vida sempre tem fugas da rotina e este ano não foi diferente.

Logo, para 2014, muito mais virá… Com saúde e muito trabalho! Espero poder partilhar e estar com meus amigos também, mais e mais…

Um maravilhoso ano para vocês!

Ingrid Caldas

2013 foi um momento de pé no chão. Não de abandono do sonho, mas da consciência de que ele leva tempo e há muito o que se superar para chegar neste lugar na vida que finalmente poderei chamar de meu.

2014 será um ano de crescimento, de um próximo passo, de assumir racionalmente o que meu coração já decidiu há muito tempo. Ao contrário do que a maioria diz, eu anseio por este crescer, sei que este novo viver me trará tanta felicidade quanto já tive e talvez ainda mais. Sorrio só de imaginar.

Poeta da Colina

No ano bom vou emprestar os sonhos
para cada passo de novo.
É repetindo
que alguém leva mais um pouco
do que mudou pelo caminho.
Sem ter fim, para que o coração se demore,
simultâneo aos olhos
que não se acostumam de procurar a felicidade
aonde romperem.

No ano bom vou cuidar das mãos
para cultivo de abraços.
É alongando-se de galhos
que alguém aprende a árvore
de seu abundante coração.
Florescer no outro adiante
algum sorriso de frutos doces
e quem sabe até
cobrir o chão com sombra fresca
a florir
porque crescemos mais juntos.

No ano bom
que não termine ninguém apenas só,
mas que os dias repitam o incessante desta vida
cumprida de querer bem.
Todo dia e mais
um pouco um ano de novo bom
para quem puder valendo tudo
a viver profundo
e o sentimento maior de mais quem vier.

No ano bom
que escrevo o coração todo
sou mais um tanto que aceito seus olhos por promessa
a caminho do que escrevo crédulo
este desejo pleno: daqui nós vamos!

Leonardo Valesi Valente

Em 2013, descobri que posso me reinventar quantas vezes quiser – inclusive, inventar a idade que eu quiser ter. Consegui me desapegar de coisas – e pessoas – que não valem a pena. Redescobri o quão delicioso é realizar sonhos, não importando que outros os considerem ridículos. Conheci novos lugares no mundo. Encontrei novos lugares dentro de mim mesma. Encontrei e reencontrei pessoas. Reencontrei a mim. E, definitivamente, consegui fazer com que os dias tivessem mais de 24 horas.

Minha palavra para 2014 é… MUDANÇA. Tudo novo, de novo. Esse ano promete. Quando disse hoje para minha filha que eu queria fazê-la feliz em nossa nova vida, ela respondeu: “eu já sou feliz, mamãe”. Que isso, por favor, não mude.

Ana Barcellos

Se tem uma palavra que pode definir este ano, com certeza essa palavra é “café” – mas não pense que falo da mesa da Starbucks ou de seus copos brancos com sereias de duas caldas.

Tampouco do espaço bem planejado pelos decoradores – falo das pessoas que preparam os cafés e que, de repente, conhecem-nos pelo tipo de bebida que preferimos. O nosso nome é um pequeno detalhe anotado no copo e dito em voz alta para que todos ali nos saibam enquanto pessoas por trás de consoantes e vogais…

Enfim, eu falo mesmo é dos estranhos que fazem das mesas de um café o seu local de trabalho, e falo também dos amigos que passam pela porta com os braços prontos para um abraço. Falo dos diálogos. Surpresas. Silêncios. Instantes de solidão. Milhares de palavras. Alguns bons textos e, claro, inúmeros goles de café…

Por tudo isso, é que eu desejo que você (e eu – obviamente), em 2014, ganhemos a oportunidade de ter em mãos uma bela xícara (ou copo) de café…

Se tudo isso que eu disse acima não se repetir, pelo menos ainda teremos a lembrança, porque pra ser passado é preciso que o dia seguinte aconteça…

Lunna Guedes

Em 2013, o que mais me marcou foi viver um dia de cada vez, com as incertezas e obstáculos que assustam, mas também estimulam. As barreiras me fizeram andar para frente, na busca de superar e vencer uma a uma, mesmo que por vezes tenha caído e me arranhado, mas nunca sem vontade de seguir e persistir na vida e pela vida.

Em 2014, espero continuar na busca da conquista de viver um dia após o outro, com o pensamento de que não terei tudo, mas nunca desistirei de tudo conseguir.

Bia Tannuri

O ano de 2013 significa amadurecimento, foco nos ideais e saudade de escrever…

Desejo (muito) que em 2014 eu volte a ter poesia e ficar muito mais próxima de todos que eu amo.

Rosamaria Roma

Amo o Oceano. É possível que esse amor tenha alguma relação ao fato de que, diante do Oceano, eu pareça tão pequena e ele, mesmo não sendo, tão infinito. Infinito tem relação com liberdade, uma de minhas palavras preferidas.

Mas, o que teria Oceano a ver com 2013?

2013 foi uma banheira. Estive contida, mesmo que mergulhada na água, num pequeno refúgio, transitório e confuso. Depois, como por necessidade de sobrevivência, fui transformando, pouco a pouco, a bacia em uma banheira. Assim, 2013 foi minha banheira.

Tive momento de relaxamento, entre sais e óleos. Outros tensos, com água fria ou quente demais. Escondi-me sob as águas, tentando aceitar algumas imposições temporárias. Revivei-me em desespero, quando as imposições eram absolutamente inaceitáveis. Derramei muita água.

2013 termina, e eu ainda estou na mesma banheira. Olho pela borda e avisto 2014, logo ali. Tenho planos imensos, profundos planejamentos de uma alma criativa. Quero tudo que 2013 me negou, quero o rio e o mar, o Oceano só para mim. Quero navegar sem destino, sem amarras, sem porto a atracar.

Quero a liberdade que ansiei a vida toda, a busca de mim em mim, enfim, quero amigos ao lado, amores na porta e, acima de tudo, esse vento nada suave que sempre guiou minha vida. Eu quero, eu faço e sempre consigo. 2014 será mais um de meus êxitos teimosos. Mais um de meus sonhos persistentes. Mais um ano em que a vida supera a morte, o medo e a rotina. 2014… e eu….

Heleny Galati

Em 2013, eu aprendi que o valor que você dá às pessoas nem sempre é retribuido da mesma maneira, mas isso também não quer dizer que você seja menos valorizado.

Aprendi que a felicidade está dentro de nós mesmos, e colocar expectativas em outras pessoas, por mais que as amemos, é um dos maiores erros do ser humano.

A palavra de 2014 para mim é ESPERANÇA. Esperança de dias melhores, de coisas melhores, de pessoas melhores. Esperança de mudanças significativas.

Ter esperança, mesmo que tudo esteja ao contrário, nunca deixar de acreditar que depois da tempestade sempre vem a calmaria e que, para as pessoas boas, sempre acontecerão coisas boas.

Roberta Alves

Este ano foi um período de CONSOLIDAÇÃO para mim. Consolidação de valores, amigos, mudanças, posturas e desejos.

Para 2014, quero fazer muito mais. Quero provar que posso manter o que conquistei e alçar voos ainda maiores, sempre na certeza de que estou sendo fiel à minha alma!

Aproveito para agradecer a todos por fazerem do Retratos da Alma o que ele É: esta linda família envolta em afeto e amizade!

Que tenhamos uma feliz renovação, queridos!

Tatiana Kielberman

Desejamos, de coração, que cada um de vocês continue conosco nesta linda jornada, espalhando amor em meio ao universo das palavras e dos sentimentos. Obrigada por tudo e… nos vemos no ano que vem, a partir do dia 10 de fevereiro!

ATÉ 2014!

Retrato em 3X4 – Por Tatiana Kielberman

retrato em 3x4

… mas talvez exista qualquer coisa de sensatez em ser louco…

A noite cai de maneira própria ao seu costume e o domingo já vai se aproximando do final.

Há milhares de papeis a serem organizados à minha frente, outra dezena de arquivos no computador e umas roupas jogadas pelo quarto, como acontece geralmente ao se encerrar a semana.

A verdade é que, mesmo que o céu esteja escuro, o meu pensamento despertou há pouco e ainda busca certo tipo de ordem para iniciar seu fluxo.

Talvez a madrugada de hoje não se faça convidativa, nem me deixe permanecer alerta por muito tempo, mas estou buscando que sim… A tentativa acaba confortando provisoriamente o coração.

O emaranhado de sentimentos que me invade não permite lógica ou coerência nas ações… Pelo menos, não neste momento. Tudo são apenas ensaios. Eu, na constante ressurreição de mim, a cada vez em que me percebo sufocada por minhas experiências.

Não pedi para adentrar o status insano que a loucura proporciona, mas confesso que, ao mesmo tempo, jamais pedi para sair. Uma vez que comecei, vou até o fim. Os neurônios que se entendam entre si para aguentar tamanha adrenalina emocional.

Esta é a minha sina, entre quereres, movimentos e uma ilusória noção de controle qualquer das coisas…

Venho treinando para aprender a dizer “não sei”, não posso”, não quero”, mas a primeira palavra ainda insiste em sair apenas balbuciada de minha boca – quase imperceptível.

É fato: precisamos negar uma parte do mundo para assumirmos as rédeas do nosso universo interior… Em muitos momentos, são ambientes simbólicos que não se complementam – e então é necessário abdicar de um deles, mesmo que seja temporariamente.

Hoje, despeço-me do domingo com dúvidas e saudades. Essas, sim, são amigas e parceiras durante toda a minha trajetória…

Tatiana Kielberman

Antes da chegada, a despedida… – Por Tatiana Kielberman

Querido 2012,

Sei que você já está quase escancarando a minha porta para poder entrar. E, sim, permitirei a sua chegada em grande estilo, mas antes te peço licença… Preciso me despedir de 2011!

Esse ano que passou foi um tanto quanto inusitado para mim. Eu, que esperava descansar após cinco anos de faculdade, fiz completamente o oposto. Falando bem claramente, não consegui escapar de certas “aventuras” – e, olhando um pouco para trás, eu nem gostaria ter agido diferente, mesmo.

Surpreendentemente, pude me estabilizar no trabalho. Foram diversos desafios e eu apreciei passar por cada um deles, não sem dificuldade, mas acreditando na vitória.

E não é que deu certo?

Ao mesmo tempo, depois de quase uma vida lutando contra a balança, tomei coragem e tive a oportunidade de fazer a cirurgia bariátrica. A mudança foi perceptível e hoje posso dizer que, sem sombra de dúvidas, esse foi um dos maiores presentes que ganhei na vida. Espero usufruí-lo pelo resto dos meus dias, da melhor maneira que puder!

Por outro lado (e tudo tem seu outro lado), precisei me despedir duramente de amizades que achei que seriam para sempre. Pode parecer clichê, mas descobri que é verdade que “o ´pra sempre´sempre acaba”…

Sofri por amor como nunca achei que fosse possível. Aliás, esse sentimento se fazia desconhecido para mim até então, porque antes tudo era fantasia, mas dessa vez foi real. E doeu. E eu espero não viver isso de novo, ainda que uma nova leva de aprendizados me aguarde em 2012.

Mergulhei no fundo do mar sem saber se haveria volta – sem guardar um ar reserva para respirar depois. Mas, por uma dádiva do destino, retornei. Mais forte. Um pouco mais sensata. Ainda bem imatura, porém mais feliz.

Conquistei o coração de pessoas especiais, do mesmo modo como elas me conquistaram também. Foram e continuam sendo o meu bálsamo, a minha cura, o meu alívio para os dias. Não adianta, o meu lado romântico acaba falando mais alto – e, sinceramente, não sei me desprender dele…

Tentei me manter próxima à minha família, com todo carinho e amor que tenho disponíveis para dar… E descobri que um bom conselho de mãe vale por mil horas de terapia!

Segurei o choro. Passei “apertado”. Engoli sapos. Fiquei livre de entulhos, tralhas, peso morto. E sobrou algo muito essencial no meio disso tudo: eu mesma.

Sabe… Por essas e outras, adorado 2011, eu te deixo ir embora sem dó, buscando guardar as boas lembranças do que passei ao longo dos meses. Algumas coisas eu realmente gostaria que não tivessem acontecido, mas – na média – não posso negar: você foi um camarada legal comigo.

E, quanto a 2012, só desejo que você venha leve, meu caro… Que me permita sentir melhor o chão antes de caminhar. Que me traga mais momentos de vivência, não só de sobrevivência (mea culpa).

E que mantenha meus pés na terra, mesmo sabendo que voarei “de vez em sempre”…

Venha feliz para mim, ano novo!