Da arte de (re)inventar – Por Daniela Lusa

Hoje eu tentei escrever uma nova história. Pensei em personagens, imaginei um enredo, construí um cenário, defini o tempo e o espaço. Fiz até diálogos. Quis inventar algo novo, pensei em uma história que nunca existiu e que jamais poderia existir. Eu queria contar a história de um alguém diferente de todos, um alguém diferente de mim. Sentei-me e comecei a escrever.

A cada parágrafo que escrevia, percebia semelhanças com personagens que já são meus, que já foram meus, que jamais serão meus. Em cada linha, encontrava traços de mim mesma, de meus sentimentos já tão expostos e há tanto tempo iguais. Todas as minhas palavras já haviam sido ditas em outras frases, em outras histórias, em tantos outros enredos. Era tudo tão igual que desisti da minha história.

Foi então que me afastei daquele papel cheio de palavras repetidas e suspirei. Aprendi, finalmente, que jamais conseguirei escrever uma nova história enquanto insistir nos mesmos coadjuvantes e não mudar o personagem principal: eu. 

Preciso me (re)inventar. 

Daniela Lusa

Os contrários em mim gritam… – Por Lunna Guedes

Há pouco mais de seis meses, estava sentada numa “roda de amigos”, desses que gostam de discutir Dostoiévski e Woolf e outros autores, lidos com a típica euforia das primeiras vezes… De repente, um deles disse, como se fosse um trovão que atravessa o azul: “eu tenho medo de me render ao argumento atual: já fizeram absolutamente tudo que tinha para ser feito”.

Ficamos em silêncio, rendidos e incomodados… remoemos nossos pesadelos – respiramos fundo – e, com feições de desconforto, nos olhamos nos olhos e mudamos de assunto… alguém citou um artigo publicado em uma revista francesa e fomos nessa direção. Mas o tema – indigesto – não me abandonou, grudou em meus passos e foi comigo para casa.

Durante a caminhada, lembrei-me imediatamente dos livros que chegaram aos meus olhos nos últimos anos… poucos foram os nomes a me convidarem para ficar, mas eles existiram, e isso já me permite qualquer coisa de alívio… afinal, ainda não li tudo que existe no mundo para ser lido e, sei que é algo que não irá acontecer, pois não há tempo o bastante.

Pensei nos filmes – no minuto seguinte –, abandonando o desconforto de saber páginas que não terei diante dos olhos e veio a certeza: há meses não vou ao cinema, porque as histórias que chegam às telas não me atraem… já não exibem roteiros brilhantes como antes. As histórias não seduzem, não nos conquistam, nem nos envolvem… perdemos alguns gênios, mas os que ainda existem por aí parecem cansados. Andam investindo em cenários de guerra, tragédias ou preferindo os efeitos às histórias…

O mesmo caso, infelizmente, acontece na televisão que, nos últimos tempos, numa vã-tentativa de sobrevivência, repete velhas fórmulas, gastas… releituras são feitas. O mesmo tema como nomes novos. É como se dissessem: “tudo que tinha para ser feito já foi feito”.

De tempos em tempos, no entanto, surge alguém com o olhar refinado, agudo… e o medo desaparece. Ainda há o que fazer. Obviamente já existe muita coisa pronta, acabada… mas é preciso dizer que não vivemos o nosso melhor momento. Tantas informações junto aos olhos ferem a mente, nem mesmo a morte consegue mais ser discreta como antes. Morre-se num segundo e nem se pode mais sofrer a perda, é preciso dizer-se o sentir ao outro, que quer explicações para os conflitos de uma vida inteira…

Há, por aí, um sem-fim de pessoas que tudo sabe e entende. São indivíduos sem voz ou rosto que, por isso mesmo, sentem-se confortáveis, como se não precisassem mais se desafiar para levantar a mão, estando em sala de aula, com os colegas dispostos a praticar o ato, ao qual a minha geração sobreviveu e, a atual parece frágil e propensa a sucumbir: o intitulado ‘bullying’.

Eu não acho que estamos menos criativos… cheguei a essa conclusão depois de meditar sobre palavras tantas que surgem diante da tela a todo e qualquer momento, mas estamos menos seletivos, aceitando toda e qualquer coisa que nos chega. Já fomos mais exigentes… hoje nos alegramos em saber que temos mais de dois mil amigos no Facebook… e gostamos de exibir figurinhas imprecisas como resposta ou o ‘curtir’ com o desenho do polegar levantado para cima – César que nos perdoe – como se tudo que nos chega fosse um táxi a nos levar pelos endereços conhecidos da cidade…

Definitivamente, ainda existe muita coisa a ser feita, mas ficará para os que sobreviverem, porque essa geração anda ocupada demais com tolices e, por ser assim, tornam-se pessoas incapazes de articular ideias, quiçá um pensamento. Quando abrem a boca para cuspir suas “verdades”, o que aparece é tão assustador que, aqui dentro de mim, grita este eco silencioso: “quando foi que nos tornamos tão pequenos?”…

Lunna Guedes

Espaços Vazios – Por Silmara Moreira

Hoje, tenho a honra de receber no “Retratos” a querida amiga Silmara Moreira!

Seja super bem-vinda por aqui, Sil!

Apreciem!

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Espaços Vazios

Esses dias estive pensado
E percebi que o tempo passou
Vi o quanto nós mudamos e envelhecemos

Nosso rosto está cheio de espaços vazios
Que não foram preenchidos pela felicidade que podíamos ter tido juntos
Não percebemos que o tempo passou
E esse tempo se tornou um vilão.

Estamos nos sentindo
Fracos e incompletos
Mas estamos certos
De que tudo não passou de um sonho

Tudo foi tão rápido,
Um adeus e nada mais será como antes
E não foi possível seguir adiante

Ficou esse vazio no coração
E a sensação de que tudo foi em vão

Ninguém nos falou
Mas nós sabemos que tudo acabou
E se tornou uma grande mentira

Espaços vazios,
Sonhos incompletos
Mas estávamos certos
Tudo não passou de um sonho.

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Quem sou eu?

“Desato os nós no emaranhado dos dias, cruzos os desafios, não me entrego à covardia… A força que me mantém é a esperança que me guia.”

Twitter: @SilmaraMoreira

Blog: Sussurros da Alma

Às vezes, sinto falta… – Por Ana Barcellos

Hoje, tenho a honra de receber no “Retratos” a querida amiga Ana Barcellos!

Seja muito bem-vinda por aqui, Ana! Obrigada por ter aceitado o convite…

Apreciem!

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Às vezes, sinto falta

De um tempo para ficar sozinha

De um momento para fazer o que eu quiser

Mesmo que o que eu queira

Seja fazer absolutamente nada

[Saudade de não fazer nada]

«»

Sinto falta de dormir quando tenho sono

E de continuar dormindo quando o sono ainda não foi suficiente

«»

Falta de poder ficar triste

sem que me cobrem que fique alegre

sem que achem que há algo mais por trás da minha tristeza

e assim acabem fazendo com que haja mesmo.

«»

Sinto falta de poder ser plena

Com meus altos e baixos

De poder errar

Poder ousar mais

Falhar sem ser censurada

Dizer qualquer besteira

Sem que digam: “esperava isso de qualquer um, menos de você”

[Sinto falta de ser humana]

«»

Falta de poder ser eu mesma

Sem ser julgada a cada passo

Sem o peso das expectativas

«»

Falta de não precisar dar satisfação a ninguém

A não ser a mim mesma

Dos meus atos

Dos meus sentimentos

Dos meus pensamentos

E do dinheiro que gasto

«»

Sinto falta de poder ser arrogante

De poder achar que sou boa no que faço

Sem precisar fingir que não sou

Porque isso faz com que pessoas se sintam humilhadas

Por causa de suas próprias limitações

«»

Falta de poder me olhar no espelho e me achar bonita

De ler o que escrevo e poder me achar inteligente

[Falta de não precisar ser humilde]

«»

Sinto falta de pessoas maduras

Que saibam que discutimos ideias

E não os donos das ideias

«»

Falta de pessoas que conversem sobre coisas complexas

Sentimentos complexos

Sem medo da profundidade

E sem preconceitos

[Ah! Como sinto falta de poder viver sem preconceitos…]

«»

Falta de um mundo com menos televisão

«»

Sinto falta

De poder ser mais sincera

Sem que isso fira susceptibilidades

[Cansada de susceptibilidades]

«»

Falta de quem queira compartilhar uma vida com paixão

Que queira construir coisas que façam diferença

Que não tenha medo de ser feliz

Nem de quebrar alguns ovos

Ou queimar pontes

«»

Sinto falta que as pessoas tenham mais coragem

Para que quem a tenha não destoe e pareça maluco

«»

Sinto falta de poder chorar mais.

[Mas nem quero chorar mais]

«»

Às vezes sinto falta de respirar

E, às vezes, só às vezes, sinto falta de mim…

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Ana Barcellos é mãe de uma pequena garotinha. Natural de Porto Alegre, e pedagoga, descobriu aos 28 anos que tinha hepatite C. Desde então, criou o blog Animando-C, um espaço na internet dedicado à informação sobre  a hepatite, que utiliza para estimular a reflexão, compartilhar experiências e, principalmente, mostrar que é possível fazer uma releitura da doença e viver de uma maneira mais positiva.

Twitter: @AnimandoC

Blogs: Apenas Mulheres de Verdade e Animando-C

Saindo do ninho – Por Tatiana Melgaço

Voa passarinho

Vai saindo de mansinho

Voa aos pouquinhos

E ganha o mundo aos pouquinhos


Canta linda ave

Esquece a tempestade

Canta em liberdade

Que um belo dia nasce


Sair do “ninho” é necessário.

Quantos ninhos criamos para nós! Ninhos emocionais, profissionais, ninhos surreais…

Mas quem disse que isso é fácil? Onde está escrito que “voar” é simples?

Dói… e muito!!

Ao longo da vida, nos apegamos aos nossos ninhos e acreditamos ser impossível viver sem eles. Quando, finalmente, conseguimos nos desapegar, descobrimos a deliciosa sensação de liberdade!

Ah, e como é bom!

O medo vai embora, abrindo espaço para a força e a certeza de podermos ir aonde desejarmos.

Nesse momento, todo dia se torna uma linda manhã de sol, com cheirinho de hortelã e café fresco… cheinho de possibilidades!!!

Meu coração e eu – Por @Sil_FM

Espero sinceramente que você esteja feliz e que tenha encontrado seu caminho sem mim.

Mas imagino que não guardou nossas boas lembranças. Vividas… Divididas…

Certamente, você as jogou fora e só conservou as coisas ruins.

Sabe, algumas vezes é preciso deixar escorrer nossas mágoas. Jogar fora velhos sentimentos que nos envenenam por dentro e cultivar novos.

É assim que crescemos. Assim é a vida.

De nada adianta caminhar com o coração carregado de rancor. Isso impede uma existência de luz e de paz e vejo que o seu coração ainda está cheio de más recordações. Ainda continua pesado.

De você, guardo apenas nossas boas lembranças. Das nossas risadas, das nossas conservas diárias. De como nos sentíamos leves e felizes, feito duas crianças a brincarem no parque, observando os desenhos das nuvens no céu.

Ao contrário de você, joguei fora as palavras tristes e raivosas, trocadas entre nós,  naqueles momentos de egoísmo exposto. Aprendi que, em uma guerra, ninguém pode ganhar.

Hoje, só quero manter minha paz e serenidade.

Agora, a vida me oferece novos caminhos para seguir. Caminhos de sonhos, de outros desejos e objetivos.

Tenho que seguir por eles, mesmo que o meu coração teime em te carregar junto. Mas não o sinto pesado, tal qual o seu.

Comigo, ele vai leve, repleto de nossas canções, dos livros que a gente leu… Dos ídolos que a gente curtiu, das saudades que pudermos ter… Das nossas palavras de carinho, das doces sensações que vivenciamos.

Comigo, meu coração vai leve. Talvez um pouco triste sem a sua presença ao meu lado.

Mas vai sereno. Vai tranqüilo.

E sorrindo…

Ela e sua janela – Por @unicaeexclusiva

A iniciante, a ser franca, está com muito medo e nervosa por este início.

E, apesar da aceitação imediata do convite, por ser fascinada em desafios e apaixonada em relatar a alma – na primeira pessoa, em outro lugar – , sem pestanejar se jogou nesta porfia.

Além de pensar que está a compartilhar este espaço com muitos blogueiros e escritores de renome e muita experiência, na busca incessante pelo aprendizado é, sem dúvida, muita responsabilidade.

Visto que fugirá do foco da poesia, do lírico, dos versos e da primeira pessoa, se propõe a narrar “Sobre todas as coisas”, numa ótica descontraída, feminina e com muita reflexão.

Combinado assim?

O novo. O desconhecido. A inconstância. O moderno. A manifestação. As sensações. As dicas. A expressão. O manifesto. O surreal. O cômico. O trágico. A vida. A alma. E outros… são os pontos por meio dos quais  você poderá deliciar-se nestas linhas.

A incansável pesquisadora da vida e do ser humano falará muito de amor, de paixões, de sucessos e diversas observações.

Prazer, esta é a Única & Exclusiva, com muito amor e rock’n’roll.