Janela #8 – Por Poeta da Colina

Ficou à espera enquanto muita coisa passava diante seus olhos. Não era apenas o Sol que levantava e se deitava, eram inúmeros sonhos que se construíam vale afora, até perder de vista, até mesmo perder a vista. Sonhos não são uma questão apenas de horizonte, então ela seguiu. As fábricas, os prédios, os carros, todos fora de contexto, apetrechos na busca da imagem que lhe fizesse sorrir. Foram enxurradas, secas e muitos dias, mas seu coração despreparado e querendo amar se fez atraente e saiu, e não voltou sem encontrar. Alma e corpo se transformaram, atenderam pedidos e se desdobraram. Ela remodelou contornos e absolutamente entregue se construiu, mais ao outro do que a si. A perda de controle do que era consumiu os dois e o que parecia vida apagou bem antes do final. O vale escureceu por mais tempo que poderia contar. Até hoje não passa um dia que não chove. Nem tudo foi sua feitura e no final das contas não há erro nenhum em querer amar. O medo que permaneceu era não encontrar pedaços para substituir o que perdeu, o medo era não ver nada além de carros e fábricas, o medo era tirar de si o direito de sorrir. Podem nos levar tudo, mas a felicidade sempre parte de nós, às vezes só nos enganamos sobre o material com que a construímos. A boa notícia é que o medo está passando, o ruim é que outras correntezas estão invadindo. A ideia de que nosso redor é frágil nos deixa sem saída. Só que a verdade é que a quantidade ajudou e distraiu sua mente, mas amigos são os raros. A maior diferença é que um amigo completa seu redor em um único abraço. Que ela não tema, não perca de vista a saída, pois há muito que já viu dar e morrer neste vale. Chegou a hora de partir, a felicidade está em outro lugar. Ela ainda olha pela janela, mas só até o dia nascer.

Danilo Mendonça Martinho

Sonhos – Por Heleny Galati

O sonho sempre é repetido. Noite após noite, a mesma cena é apresentada a mim. A pedra cortada por uma adaga, permitindo que eu veja símbolos engastados nas paredes esverdeadas da pedra que antes era apenas cinza. Que símbolos são esses? Por que se apresentam a mim? O que têm a dizer que não pode ser dito quando estou acordada? Mesmo no sonho, mesmo nesse momento, ainda tento encontrar algum ponto de lógica no que estou vendo.

A adaga cortou a pedra como a quilha do barco corta a água, na aparência foi assim. No entanto, o barco necessita de algum tipo de energia para fazê-lo, aquela adaga era movida apenas pelo desejo. Simples.

O cenário muda e, agora, a névoa púrpura encobre a imagem anterior; no meio dela, um rosto. Sei que ele é antigo, não velho, apenas antigo. Não o reconheço, ele tem para mim o mesmo significado dos símbolos na pedra. Ambos são a tentativa inconsciente de traduzir meus mais profundos anseios. Reluto em compreender, quem não o faz? Nossos caminhos, repletos de imagens e palavras repetidas, muito e muito nos prendem a certezas definitivas e, naquele sonho, em meio a todas aquelas impossibilidades, certamente parte de mim se apega a essas certezas, renunciando ao poder de compreender além.

Neste exato ponto, a repetição muda. O rosto vai, pouco a pouco, misturando sua essência à névoa. Dali, um outro quadro: um homem em sua bicicleta. Ele é maduro, seu físico é forte, esguio, mas com músculos adequadamente formatados para sua atividade favorita: andar de bicicleta. Ele veste shorts preto, camiseta preta com fitas reflexivas laranjas e seu capacete – totalmente aerodinâmico – é de um brilhante verde, o mesmo verde do interior da pedra. Estou parada na calçada, decidindo se olho para a cena que antecipei, ou simplesmente viro as costas e continuo para outro momento.

A indecisão faz com que o homem tenha que enfrentar o carro que virou em sua direção. Ouço um grito. Fecho meus olhos, não quero ver outro ser humano machucado. Tenho visto tantos. Foi um piscar de indecisão, mas quando abri meus olhos novamente, não havia sangue. Apenas o motorista, o guarda e o homem da bicicleta. Cada qual com seu dilema. O motorista em desespero – onde vivo, um atropelamento, mesmo sem morte, significa perder o direito de dirigir um automóvel por um ano – move-se em agitação na tentativa de auxiliar o homem da bicicleta, que está imóvel no chão. Teria ele desmaiado?

O dilema do homem da bicicleta está em certificar-se de sua sobrevivência. Sim, ele está vivo, mas há algo errado com seu braço. Não é sangue, não é fogo, apenas um tipo de dormência calma, quente. Ele não consegue mexer o braço esquerdo. Não ousa se levantar do chão. As pessoas olham discretamente. Ninguém para para bisbilhotar ou incomodar o guarda, o motorista ou o homem da bicicleta. O guarda, após avaliar eventuais ferimentos, auxilia o homem da bicicleta a se levantar. O motorista, ainda com o rosto expressando o desespero, pega uma cadeira do restaurante próximo para o homem da bicicleta se sentar. Eles conversam.

O contraste das faces é evidente. O guarda exala austeridade, justiça, punição. O motorista está entre desespero e medo, pânico e dúvida. O homem da bicicleta sorri, entre alívio e o início de uma dor, que se transformará em algo maior.

Cinco minutos se passaram, uma ambulância chega. Os paramédicos avaliam a situação. Levam o homem da bicicleta para o interior da ambulância. Um rápido Raio-X confirma o braço quebrado, a tala permite que a dor não seja mais tão agonizante. Eles seguem para o hospital.

O motorista é fotografado pelo guarda. Assim como, a bicicleta, o carro e a forma como o motorista entrou na rua. Palavras de censura lhe são jogadas na face. Ele contrai o rosto. Ainda não sabe o que irá lhe acontecer. Incerteza é algo torturante. Mais 10 minutos e tudo está terminado. O guarda foi embora, o motorista seguiu para seu trabalho e o homem da bicicleta está no hospital, entre uma cirurgia ou apenas a imobilização. Quem sabe?

Nova mudança, como se a mente retomasse seu caminho ziguezagueante entre a realidade ocorrida – o acidente ‘sonhado’ realmente ocorreu hoje – e o delírio criativo. Agora, somos eu e as aves, sobrevoando cidades, rios, vales e montanhas. Um desesperado e inconsciente buscar por mim mesma. Sensação que carrego comigo no voo. As nuvens me dizem tantas coisas, mas me recuso a escutar, estou surda a outros e suas opiniões enlatadas sobre mim. Tenho meu próprio ponto de vista, elástico, espiralado, difuso. Nunca aceito a tradicional vestimenta social.

O pouso ocorre no topo de uma construção. Ela foi a mais magnífica igreja cristã construída em seu nascimento. Depois, o símbolo da conquista, hoje um museu, que relata o passado conforme a conveniência do presente. Pouso ali. Meu lar, meu lugar de ser simples e completa. Observo tudo ao redor, com olhos de completa apreciação. Sem julgamentos, sem decisões a serem tomadas.

Lembro-me do homem, do guarda e do motorista. Lembro-me do acaso que os colocou lado a lado. Lembro-me de você e de seus medos, seus preconceitos e seu sorriso infantil, repleto de desejos de uma coragem que nunca irá possuir. Lembro-me de quem fui, de quem sou e de quem sempre serei. Mutante em cada espaço, em cada tempo, constante em apenas um detalhe.

Alço voo novamente. Retorno a casa onde abrigo meu corpo, onde meu filho descansa. Espio tudo pela janela. Decido entrar e ficar, sim, vou ficar apenas mais um pouco. Ele, o menino, ainda precisa de mim. Eu? Bem… eu preciso partir. Sei que irei, mais tarde, sem medo, sem dor, sem austeridade. Apenas abrirei a janela e pularei.

Heleny Galati

Introito – Por Ingrid Caldas

Quando me arrisco

Quando me faço ventania

E me ausento,

Deixo-me lembrança…

Quando horas a fio

De tempestade me pinto sem segredo

Em tua alma me sinto…

Meu amor não é calmaria,

Não é desespero e nem perigo..

É descuido..

Com cheiro de vinho tinto…

Não há remendo nem consolo

Controlo o choro..

E na lágrima perdida

O amor ri da alegria…

Covardia?..

A doçura resiste

A mulher existe

E o sonhar é de luz!

Ingrid Caldas

Sonho – Por Heleny Galati

,

Álcool descia suave,

Tipo fugaz de medicina,

Escolha simples, ingênua.

Esconder o que dentro

Se esconde, é aquele tipo

Incontestável de impossibilidade.

Ela não molha sua lama nisso,

Ingere, digere, regurgita

A total inépcia da vida,

Fugidia prisioneira

Das simulações

Incontáveis do círculo.

Não quer ela apenas fogo,

Fundida em simulacros

De uma existência perdida,

Queimada no frio fogo

Do álcool espalhado,

No regaço da desesperança

Pela certeza do não ser.

Heleny Galati

Quando me abandonei – Por Tatiana Melgaço

 

É como se fosse um sonho estranho, daqueles em que você vê tudo meio que por sombras, sabe o significado, mas, como é sonho, deixa pra lá.

Foi assim que comecei a me abandonar…

Tanta gente pra cuidar, contas para pagar, prazos para cumprir, tantas prioridades que me esqueci de mim. Sempre dando conta, até a hora em que a coisa começou a ficar estranha.

O melhor programa? Comer! A melhor diversão? Dormir…  Sim, dormir é o que me traz paz, silêncio e sossego. É o momento em que ninguém fala comigo (pelo menos não neste mundo!), é quando posso esquecer as preocupações por algumas horas. É quando sou covarde e me abstenho do mundo. E, qual o preço disso tudo? Ficar doente…

Estou obesa e com a pressão alta. Mais um pouco de esquecimento e ficarei diabética também! Mas tudo está em ordem: as contas, os prazos, a saúde dos que amo. Só quem não está em ordem sou eu!

Sinto-me fracassada, derrotada por mim mesma! Sei que você está lendo isso e pensando: “Oras, faça uma dieta e tome um remédio!”. Você está certo, é o que vou fazer. Mas, por favor, entenda, me refiro à decepção comigo mesma, que me corrói a cada minuto, a cada letra digitada na construção deste texto.

E por que, você deve se perguntar, dentre tantos assuntos, eu trago este aqui hoje? Porque esse é muito mais do que um texto. É uma declaração pública, num lugar em que tenho amigos muito queridos, de compromisso comigo mesma em primeiro lugar. A partir de já cuidarei integralmente de mim, vou me amar intensamente, devotar a mim todo o carinho e dedicação que tenho a tantas pessoas e então me renovarei. E poderei escrever um novo texto contando sobre minha vitória sobre mim mesma!!

Me aguardem!

“Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não
fosse saudável: Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama Amor-próprio”

(Charles Chaplin)

Tatiana Melgaço

Fatih – Por Heleny Galati

 

Era manhã de inverno, nenhum céu deveria ser tão azul assim nos dias de inverno. Muito mais que azul, ele resplandecia sem a mácula do branco, apenas em total sintonia com a intensidade do amarelo do sol. Fatih abre os olhos lentamente, ele precisa despertar para a realidade de novo, os sonhos têm sido, há algum tempo, seus melhores companheiros. Deitado na entrada do pequeno abrigo que construíra antes de adormecer, seu coração insiste em lembrar o que sua mente deseja esquecer. Nunca compreenderia o destino, mesmo que morresse e nascesse mil vezes, ainda assim não conseguiria associar o dar e tirar com lições, sentido e aprendizado. Para ele, sentado agora numa pedra branca, debaixo de uma árvore também branca, era apenas dor sem objetivo.

Fatih esquecera de onde viera, preferia pensar que ainda estava seguindo para o local onde iria nascer. Era espécie de alma viajante, seu físico apenas uma simples ‘mala’, que carregava quem era. Assim, pegou as poucas frutas que colhera pelo caminho no dia anterior, o pedaço de pão, pelo qual trabalhara por algumas horas, e seguiu, sempre em frente, sempre para a montanha.

Süphan Dağı o chamara em sonho. Logo depois do “destino” ter feito sua parte, a montanha aparecera em seu primeiro sonho sem sangue, sem negro, sem lágrimas. Não havia voz, apenas o som do vento no topo e o sol logo à frente. Ele sabia que era seu nome que ela clamava. Levantou-se da cama, na casa de seus pais, pegou o pouco dinheiro que ainda possuía, alguns poucos bens que tinham algum significado e seguiu sozinho, sem nada dizer.

Estava na estrada havia dois anos, dois anos nos quais se esquivava das pessoas. Parava em um povoado ou outro, apenas quando a necessidade de pão era maior que o desejo de solidão. Executava alguns poucos trabalhos rápidos, recebia seu pagamento e seguia. Sem falar, sem olhar, sem sentir.

Sabia que estava perto agora, seu caminho falava com ele, e as palavras da última noite eram de que o fim se aproximava. Ele pensou, fim? Não era apenas o começo para ele. O fim acontecera dois anos atrás.

Fatih era um jovem trabalhador em sua vila. Filho carinhoso e atencioso, irmão presente e companheiro. Seu trabalho na lavoura rendia à família pouco, mas o suficiente para que tivessem um bom fogo, roupas e algumas sobras para trocar por coisas supérfluas, como o lindo vaso que a mãe ostentava com orgulho sobre a mesa da cozinha. O que o havia enchido de orgulho fora poder comprar o anel para Asya.

Asya, com seus longos cabelos da cor das toras que queimavam no fogão. Mulher de olhos amendoados, cor de âmbar escuro, perfume de flores e voz de fada. Ele se apaixonara por ela sem pensar. Não fora escolha, fora destino. Em tal tempo, ele aceitava essa explicação: destino. Sua felicidade era tanta que transbordava no olhar. Asya percebeu, deixando que ele vislumbrasse que, para ela, era da mesma forma. As famílias estavam felizes. Mesmo que o casamento tivesse sido escolha dele, o destino, este não poderia ter unido duas almas melhores. Era inverno, na primavera eles se casariam.

Fatih queria presentear Asya com algo que representasse seu coração. Um artesão lhe ofereceu o anel de prata, com pedra vermelha como o fogo. Era caro, ele teria que economizar muito, mas era isso. Esse seria o símbolo.

Num dia de neve e sol, Fatih entregou o anel à Asya. Os olhos da mulher não faiscaram pelo objeto, ele não vislumbrou orgulho ou posse nela. O que viu, quando olhar cruzou com olhar, foi um amor infinito, repleto de calor e esperança. Esperança que ela compartilhava com ele. As mãos se tocaram pela primeira vez, foi apenas um roçar, que deixou certo o sentimento de ambos.

No dia seguinte, Fatih seguiu para o trabalho no campo. Asya decidiu segui-lo ao longe. Ela não sabia a razão, apenas aceitava o que o coração dizia. Após duas ou três horas de um trabalho intenso e repetitivo, ela viu dois homens se aproximando. O destino havia trazido-a até ali, agora ela compreendia a razão. Sultan e Kadir silenciosamente se aproximam de Fatih, o claro objetivo era matá-lo. Sultan esperava ser o consorte de Asya, o ódio pelo caminho que as coisas seguiram levou-o até aquele campo, naquela manhã de inverno.

O branco da neve refletiu o brilho da faca, Asya sentiu como se o metal lhe pertencesse. Sem pensar, atirou-se entre o metal frio e o corpo quente de Fatih. A faca entrou em seu peito, seguindo direto até seu coração. Asya morreu olhando nos olhos do homem que amava, sentindo seus lábios e suas lágrimas. Sultan e Kadir figuram, deixando a neve vermelha e Fatih sem vida. Dois morreram naquele dia.

A montanha estava à sua frente, majestosa em suas roupas de poder. Branco, tudo era do mesmo branco daquele dia no campo. Ele precisava subir. Iniciou a subida sem medo. O corpo perdera os sentidos, o medo o abandonara junto com a vida. Dois anos sem razão para ele. Dois anos sem Asya, somente nos sonhos ela aparecia.

Quando contassem sua estória, ninguém conseguiria explicar como ele chegou ao topo. Sem comida, sem roupas adequadas, sem sequer saber o caminho. Alguns diriam que foi sua loucura, outros, a fé. Poucos compreenderam que o guia foi o amor.

Fatih atingiu o topo no exato momento que o sol se punha. Olhou maravilhado para as cores, imaginado a bela Asya num vestido de casamento que as ostentassem. Asya, sua doce Asya, ela deu a vida por ele. A montanha falava com ele, um poema ritmado sobre a caverna e a dama. A dama de negro que o esperava.

Fatih entrou na boca escura envolta no manto branco, tênue luz azulada o guiou ao fundo. O salão era amplo, fresco e morno, combinação estranha. Pequenas flores amarelas e alaranjadas ornamentavam pontos estratégicos. Uma poltrona coberta de grama fresca o convidava . Ele se sentou, fechou os olhos e mergulhou no mundo no qual podia viver. Dessa vez não foi Asya que apareceu. A mulher de cabelos avermelhados, olhos escuros e sorriso que quase o engolia estava parada, esperando. Ela estendeu a mão, nesse toque ele deixou fluir toda a dor que carregara por tanto tempo. Ela absorveu, sem que seus olhos perdessem a força, ou o sorriso e a beleza. Ela tirou dele tudo. Então, Fatih acordou.

Não se encontrava mais na caverna, estava na borda de uma vila. O amanhecer cantava no horizonte, a fumaça saía pelas chaminés e o cheiro de pão sendo cozido embriagava. Ele se levantou e percebeu que suas roupas eram de uma fina lã, quente, imaculadamente brancas, acompanhadas de confortáveis e aquecidos sapatos. No bolso do casaco, encontrou um pequeno saco. Imaginou que fosse alimento, mas ao abrir apenas viu pequenas pedras coloridas.

Caminhando lentamente, entrou na vila. As portas iam se abrindo à sua passagem. As pessoas se curvavam em reverência, ele pensava que finalmente havia enlouquecido. No centro da vila, em frente à pequena e simples mesquita, ele parou. Alguém, envolta em um manto negro de lã, segue em sua direção. Quando ela baixa o manto, ele pode ver seu rosto. Foi como se o sol nascesse apenas para ele, como o mar cantando suas notas de ir e vir, apenas porque ele ali estava. Uma rosa branca surgiu no meio de um arbusto, ele a colheu e entregou para a jovem mulher. Os olhos se encontraram e ele compreendeu agora. O destino lhe tirara e agora lhe devolvia. A vida, o amor e a esperança.

Fatih se casou com Şebnem. Ele e ela governaram a pequena vila. O amor deles, a sabedoria combinada, fizeram a vila transformar-se em poderosa cidade. Juntos tiveram apenas uma filha, a quem ele chamou de Asya. Şebnem era a luz de Fatih, Fatih era o existir de Şebnem. Quando o tempo de seguir chegou, deixaram Asya e seu escolhido cuidando do povo. A pequena vila se transformara no Reino de Süphan Dağı.

As últimas palavras de Fatih e Şebnem para a filha foram: “a única coisa que pode trazer à vida um mundo morto é o amor, nada mais”.

Heleny Galati